Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Maio, 2010

Como permanecer indiferente a um ataque militar de Israel contra pacíficos barcos com activistas da solidariedade que transportavam ajuda humanitária para as populações de Gaza, sujeitas a um prolongado e desumano bloqueio brutal por aquele Estado?

Para além de questões ideológicas ou políticas, é a humanidade de cada um de nós que é questionada por este crime injustificável e inominável, em que terão sido assassinados 19 cidadãos em missão de paz!

Vão as grandes potências ocidentais e a União Europeia fazer o número do costume, limitando-se na melhor das hipóteses a umas críticas circunstanciais e vagas e à chamada dos embaixadores de Israel, mantendo de facto a sua habitual cumplicidade com a ilegal ocupação por Israel dos territórios palestinianos e com as suas continuadas provocações aos direitos humanos e ao direito internacional? Vai o Governo português manter a sua habitual cobardia diplomática a reboque da “voz do dono” em nome da real politik ? Não se envergonha um Governo que se diz socialista quando a sua posição oficial através do MNE é de apenas lamentar a violência “excessiva” (?!)  e as mortes verificadas?

Ou a chamada comunidade internacional toma finalmente consciência do monstro (nuclear, racista, autoritário e belicista) que se está a formar nas entranhas do Estado de Israel, corroído política e moralmente por uma ocupação e colonização insustentável e que se está a converter cada vez mais numa das principais ameaças à paz mundial e num perigo para o seu próprio povo?

Como os portugueses sabem por experiência própria e o Governo quer ignorar, não é livre um povo que oprime outro povo. E, por isso, para nos libertarmos duma ditadura no 25 de Abril de 1974, tivemos também que ao mesmo tempo reconhecer a liberdade e independência dos povos das colónias.

Por isso, todo o apoio à concentração para hoje, às 17.30 horas, convocada para junto da Embaixada de Israel (Rua António Enes – metro Saldanha) pela Comissão Nacional do Tribunal Russell para a Palestina (ver também aqui o comunicado desta Comissão), a ATTAC Portugal, o Fórum para a Paz e outras organizações. Ver também sobre esta questão a posição tomada pela Amnistia Internacional.

Anúncios

Read Full Post »

Depois do curioso sinónimo que o PS arranjou para o verbo “furtar”, tendo-o transformado na expressão “tomar posse”, eis que saiu uma nova actualização do dicionário socialista publicado pela “Largo do Rato Editora”. Para a recorrente palavra “mentira”, a expressão agora adoptada é “erro de transmissão”.
Cada vez me sinto mais apreensiva com estas actualizações da língua portuguesa. Mas não duvido que o acordo ortográfico foi tema de conversa entre José Sócrates e Chico Buarque. A pedido deste último, claro!

Read Full Post »

E porque amanhã é sábado e dia da manifestação nacional da CGTP, aqui fica a lembrança estimulante duma bela canção de Geraldo Vandré  Pra não dizer que não falei das flores – que permanece inteiramente actual e nos convoca para a acção colectiva, se queremos libertar as nossas vidas da ditadura dos senhores do dinheiro (os venerados mercados financeiros) e dos seus servidores no poder político.

Read Full Post »

Carlos Brito acaba de publicar este seu livro de memórias, que tem como núcleo central a análise do percurso, do papel e da figura de Álvaro Cunhal, desde  que o conheceu num encontro clandestino em Paris em 1966, num café da Place de Clichy, pouco depois da saída do autor de prolongada prisão em Peniche.

Estas memórias constituem um valioso contributo para a compreensão da história, da orientação e da acção do PCP nas últimas décadas, e também do importante papel que o próprio Carlos Brito, como revolucionário e dirigente comunista dos mais destacados, desempenhou em numerosos acontecimentos que marcaram o nosso processo político: como dirigente de importantes organizações e sectores do PCP, na clandestinidade e depois do 25 Abril; como principal responsável pela ligação do PCP aos militares  que prepararam o 25 Abril; como deputado dos mais prestigiados, presidente do grupo parlamentar comunista durante 15 anos e um dos obreiros da Constituição de Abril; como director do Ávante e, finalmente, como lúcido dirigente comunista que ousou corajosamente levantar a sua voz em defesa do renovamento ideológico, político e organizativo do PCP.

É Carlos Brito um dos mais qualificados e importantes dirigentes históricos do PCP, tendo feito parte da sua direcção  central desde 1967 (na Comissão Política até 1996, altura em que por sua iniciativa saiu deste órgão), e permanecendo ainda no Comité Central até ao XVI Congresso (Dezembro de 2000). Foi então sacrificado com numerosos outros quadros na crise profunda que atravessou o PCP no período que antecedeu esse Congresso e se prolongou depois num processo de marginalização dos que se opunham à linha de orientação vencedora, pela posição corajosa que assumiu de defesa do renovamento político, teórico e organizativo do partido.

Nas páginas do seu livro encontramos um retrato lúcido, equilibrado e sereno de Álvaro Cunhal, na sua dimensão humana e política, com as suas virtudes e qualidades, defeitos e erros.  Recusa o autor o tom hagiográfico, mitificador e acrítico de outros escritos publicados sobre aquele dirigente comunista, sem por isso o diminuir na sua reconhecida estatura política e intelectual e no papel determinante que desempenhou, quer na condução do PCP na resistência antifascista, quer no processo político ulterior ao 25 Abril e na configuração actual do PCP.

A sua longa relação partidária e pessoal com Álvaro Cunhal e a sua pertença ao “núcleo duro” da direcção do PCP, dão mais consistência e relevância ao seu testemunho, às análises e aos factos relatados no livro, que contêm elementos de novidade, contribuindo para iluminar e esclarecer melhor o pensamento e a acção do PCP e de Álvaro Cunhal, da sua influência no processo político e do papel desempenhado por este dirigente.

Consideramos particularmente interessantes, por ajudarem a uma melhor compreensão do debate interno e da orientação do PCP em momentos e processos decisivos, quer antes quer depois do 25 de Abril, os textos do livro que abordam, designadamente, as seguintes temáticas: a atitude face à invasão da Checoslováquia pelas tropas soviéticas em 1968, que liquidou a experiência de renovação socialista naquele país; a preparação da Revolução de Abril e a relação (antes e depois) com os militares do MFA; os dilemas e desafios complexos que o PCP enfrentou em 1974 e 1975 e as tensões e contradições entre mobilização social e prioridades políticas, entre processo revolucionário e institucionalização e modelação do novo regime; o posicionamento do PCP no processo do 25 de Novembro; as relações com o PS; a adaptação do PCP à estabilização política demo-liberal posterior, à perestroika e depois ao processo de dissolução da URSS e à implosão dos regimes socialistas do Leste Europeu; o modo como o PCP e Álvaro Cunhal lidaram com os processos de dissidência interna nos anos 80 e 90; o processo de substituição de Álvaro Cunhal por Carlos Carvalhas à frente do PCP e do seu relacionamento atribulado.

Destacamos por fim a abordagem feita no livro à profunda crise vivida no PCP no período anterior ao XVI Congresso (Dezembro de 2000), e que em nossa opinião constituiu a maior e mais profunda crise interna do PCP desde a chamada “reorganização” do final dos anos 30 e do início dos anos 40 do século passado. Foi este o momento do regresso de Álvaro Cunhal à liderança de facto para orientar o grupo conservador que saiu vencedor desse Congresso. Agitando o risco de uma pretensa social democratização do partido, impôs e deixou como herança uma linha política e uma direcção radical-conservadora que continuam hoje no comando, conduzindo ao afastamento e marginalização de muitos quadros de direcção e de milhares de membros do PCP, entre eles o próprio Carlos Brito, que pugnavam pelo renovamento da ideia comunista e das formas de organização, direcção e funcionamento partidário.

Como lucidamente refere Carlos Brito no seu livro, aconteceu com Álvaro Cunhal, no período final da sua vida, o mesmo que um antigo e notável dirigente comunista que cita (Pires Jorge) contava, para resfriar excessos de dedicação e, acrescentamos, na base da sua reconhecida sabedoria e experiência humana: a estória de uma mãe que tanto abraçava o seu bebé que um dia o sufocou.

É mérito do autor, também com obra interessante publicada no domínio da poesia e da ficção, agarrar o leitor por uma forma e ritmo da escrita que tornam estimulante a descoberta dos factos de que dá testemunho e da sua leitura pessoal. Feito o luto da separação partidária e dos agravos sofridos, em paz consigo e com os outros, Carlos Brito, veterano e prestigiado dirigente histórico dos comunistas portugueses e comunista convicto que continua, consegue, de modo sereno, lúcido, sem azedumes e sem confundir diferença de opinião com diminuição da qualidade humana ou política dos que optaram por rumos diferentes do seu, sem omissões ditadas por conveniências políticas, dar um contributo indispensável e sério que fazia falta  à compreensão do PCP contemporâneo e da sua história recente.

A apresentação hoje, dia 27, na Livraria Buchholz (Rua Duque de Palmela, 4 – Lisboa), às 18.30 horas, constitui uma excelente oportunidade para tomar contacto com esta interessante e oportuna obra e o seu autor, conhecer a apresentação do livro feita por Manuel Alegre e António Borges Coelho e ouvir textos lidos por José Manuel Mendes.

Read Full Post »

A espanhola Telefónica admite lançar uma OPA hostil sobre a PT. César Alierta, o homem forte da Telefónica, diz que a hipótese é viável. O presidente executivo da PT, Zeinal Bava, responde que não se deixa intimidar.
E o que dirá José Sócrates? “Opa, y agioria? Riaio diesties ispanhiois… Ó Zieinal, nião quieiro cá iessa histiória. Estoy miesmo a vier que é ioutra viez o mialuco do Rui Piedro Soaries. Biolias, que nó piára quietio!!!”

Read Full Post »

Uma campanha da rede internacional da ATTAC

A luta contra a pobreza, a garantia e preservação dos bens e serviços públicos à escala mundial, reclamam urgentemente novos meios de financiamento. O combate à fome e à insegurança alimentar, às pandemias, às doenças ainda hoje subestimadas, à desregulação climática, à precariedade energética, bem como o acesso à educação, à saúde e a uma habitação decente e a protecção da biodiversidade, exigem desde já a mobilização de elevados recursos financeiros para que seja possível pôr em prática, à escala do planeta, as políticas globais capazes de contribuir para a realização dos direitos económicos e sociais fundamentais.

É tempo de converter a actual crise financeira numa oportunidade para todos. É tempo de agir em defesa dos interesses dos povos e do futuro do nosso planeta.

A ATTAC Portugal, que participa nesta campanha, apela a subscrever aqui esta petição dirigida aos Governos dos países do G-20, que reunirão em Toronto nos próximos dias 26 e 27 de Junho, e a colaborar na divulgação e adesão a esta campanha internacional. Vale a pena apoiar!

Read Full Post »

Marcelo regressou esta noite ao comentário político na TVI. E é tão bom no metier que até consegue fazer-se passar por novato e esquecer-se do telemóvel ligado. Aos primeiros minutos de conversa toca o telefone, ele procura-o no bolso do casaco e desabafa que está tão desabituado destas coisas que até deixa o telefone ligado…
Explicou a crise aos pobres e desinformados portugueses, foi até didáctico na definição de agências de ratting. Disparou contra Sócrates, como esperado. E não desperdiçou o primeiro round de TVI para dar atacar Passos Coelho, dizendo que este deveria ter imposto – e por escrito – as contra-garantias do acordo com o PM. E como quem dá conselhos a uma criança, Marcelo advertiu Pedro para que não derrube o Governo, ao estilo “o menino veja lá o que faz, porte-se bem, olhe que o tio aborrece-se!”
No final ainda andou (literalmente) aos papéis, à procura do nome da associação que queria homenagear. Aposto que se lembrou de Santana na tomada de posse, mas segurou o comentário com um sorriso.
Marcelo estava feliz. Brilhavam-lhe os olhos. Regressou ao palco pela porta grande. Só faltou o leitão como presente de boas vindas no regresso à estação de Queluz.

Read Full Post »

Older Posts »