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Archive for Agosto, 2010

O “Escritor Fantasma”, do realizador Roman Polanski, é uma interessante abordagem ao interior da “caixa negra” do poder político e do seu exercício, tendo como referência o blairismo e o modo como atrelou o trabalhismo ao unilateralismo imperial de Bush. Na sua estória bem contada ilustra a urgência de não ficarmos pela superfície das águas. Para não acabarmos, também nas esquerdas, prisioneiros de um jogo de espelhos e de sombras, aceitando fatalisticamente a subordinação a poderes cada vez mais distantes e menos legítimos que vamos desistindo de controlar.
Esta obra convoca-nos igualmente para a reflexão sobre o modo como o casamento do capitalismo com o modelo político demoliberal está a reduzir este modelo de representação política a uma carapaça formal, cada vez mais instrumento legitimador das oligarquias e redutor da cidadania.
Gostei. Recomendo.

Como aperitivo, aqui fica o trailer legendado e oficial do filme. E como bónus, a sátira musical de George Michael sobre a dupla criminosa Bush & Blair que tanta polémica suscitou quando apareceu, pela sua representação de Blair como o caniche de Bush.

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Morreu Abbey Lincoln. 80 anos. Uma grande cantora de jazz, autora dos poemas de muitas das suas canções e também actriz. Uma cidadã empenhada no combate ao racismo e pelos direitos cívicos. Aqui fica uma das suas belas canções, numa versão recente, com um poema (ver aqui) da sua autoria e que é uma reflexão de vida. Um legado que enriquece a nossa caminhada colectiva e o nosso património comum.

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O QUE É O POVO?

Em Lisboa, no Museu da Electricidade, uma Exposição sobre o POVO, integrada no programa do Centenário da República. Que nos convoca para uma reflexão e uma visita estimulantes aos múltiplos conceitos de povo e do seu uso  e à história deste sujeito político colectivo. E nos convida para ver a nossa história humana e a construção do nosso devir  a partir dos olhos e das vidas dos de baixo, dos comuns, e não só pela narrativa e protagonismo das elites. Povo e democracia. Povo e res publica. Povo e soberania. Povo e acção colectiva. Povo e nação. Povo e classes sociais. Povo e indivíduo. Povo e cidadania. Tantas dimensões para explorar e compreender(mo-nos) melhor.

Como é referido na apresentação da exposição, a pergunta «O que é o povo?» serviu de linha orientadora a este projecto “que propõe ao público/povo de hoje várias respostas possíveis através de uma nova reflexão visual, estética, simbólica, sociológica e política sobre a génese e a evolução do conceito de POVO”.

Esta exposição articula-se com a edição pela Tinta da China de três livros cuja leitura se recomenda:
Como se faz um povo, ensaios originais de investigadores portugueses acerca das práticas e representações populares, com apresentação e coordenação do historiador José Neves;
A política dos muitos (povo, classes e multidão), antologia de textos teóricos de filósofos e cientistas sociais, com coordenação e introdução de Bruno Peixe e José Neves;
O que é o povo? , colectânea de depoimentos de artistas, políticos, empresários, gestores, jornalistas e desportistas a propósito do conceito de POVO.

Como complemento destes textos,  aqui deixamos outra sugestão de leitura, que aborda a história humana entendida como a narrativa da construção de sociedades complexas pelas pessoas comuns: A People´s History of the World, de Chris Harman. Infelizmente ainda sem tradução portuguesa.

Uma exposição e recomendáveis e enriquecedoras leituras de Verão, para preparar a rentrée e enfrentar a nudez crua da realidade com vontade de dar a volta a isto.

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Que o Verão e as férias não nos façam esquecer as coisas importantes do nosso futuro colectivo. A CGTP tem em curso uma campanha contra as privatizações na base da subscrição de uma petição colectiva. Vale a pena apoiá-la!

Se alguns se deixaram comover sobre as intenções do Governo de Sócrates neste domínio, depois da sua intervenção invocando o interesse nacional no conflito entre PT e Telefónica acerca da Vivo, desenganem-se.

É a política de uma no cravo, outra na ferradura, mas sem abandonar o rumo. Tal como a proclamada defesa verbal do Estado Social e a política de facto dos cortes sociais aos que mais precisam e o continuado desgaste da sua universalidade. Que a Comissão Europeia, a Alemanha de Merkel e o FMI já explicaram ao que vêm e o que querem e o PEC do bloco central de interesses não engana.

O recente anúncio do Governo de que vai avançar na venda de parte das acções do Estado na Galp e na EDP mostra bem como permanece fiel à orientação de entrega ao grande capital de sectores estratégicos e de rentabilidade assegurada e protegida no mercado interno. Sempre com o argumento pífio do combate ao défice. Que não se viu quando foram enterrar 450 milhões de euros de todos nós no BPP e alguns milhares de milhões via CGD no BPN, sem garantias suficientes de retorno e protecção dos recursos públicos, como se está a ver.

Estão a acabar os anéis, vão a seguir os dedos?

Todos podemos fazer algo. Como, por exemplo, assinar esta petição (ver aqui).

 

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Quantos são?!

Contaram-me esta história e vendo-a como ma contaram. Parece uma anedota, mas garantem-me, fonte segura, que é verídica. Uma entrevista telefónica feita por uma jornalista ao Presidente da Câmara de Gondomar. As perguntas incidiam sobre as medidas de contenção financeira que a autarquia estava a adoptar. O autarca explicava, orgulhoso, cada passo da criatividade financeira que estava a permitir poupar nos gastos. Até que a jornalista lhe pergunta: “Ó senhor Presidente, e quando vai arrecadar com essas medidas?”. A resposta foi disparada prontamente: “Eu nada, menina, é tudo para a autarquia!”

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Em tempo de férias (para alguns), aqui ficam dois vídeos bem humorados que nos ajudam a reflectir sobre a causa das coisas nesta crise que nos deprime.
O primeiro, é uma análise de David Harvey, do ponto de vista marxista, sobre as crises do capitalismo.
O segundo, em ritmo hip hop, exprime o confronto entre as teses de Keynes e de Hayek. E sendo óbvio que a nossa simpatia não vai para Hayek, inspirador da Escola de Chicago, do thatcherismo e do neoliberalismo em nome da liberdade dos mercados, este vídeo ilustra bem a força e actualidade das ideias cujo confronto se projecta no tempo presente, apesar dos seus autores terem partido há muito.
Embora não possuindo tradução portuguesa, são pedagógicos, divertidos e valem a pena.

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Já não é novidade. Mas é mais uma bela canção do último trabalho dos Deolinda. Uma nova geração de criadores que assim procura juntar a música à vida e nos anima na caminhada para lhe dar sentido e futuro. Um sinal de esperança, no meio das incertezas actuais da nossa condição. 

Hoje, não quero falar dos incêndios, da crise, do Estado social ameaçado, das desigualdades ou da justiça. Amanhã, talvez.

Hoje, apetece-me esta canção. Imagino o mundo e a vida, como os quero, todos lá dentro.

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