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Archive for Dezembro, 2010


Lembram-se? 2010 começou com a proclamação pela União Europeia, com a devida pompa e circunstância, do Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Sociais, com direito a discurso do Durão (aquele compatriota que elevou a autoestima nacional quando deu corda aos sapatos e se pisgou do Governo para Bruxelas) e a promessa de duas conferências duas sobre o assunto.

O resultado, viu-se! Mais pobreza, mais desemprego, mais desigualdade e a promessa dos governantes de que em 2011, em nome da competitividade e do apaziguamento dos “mercados”, haverá mais do mesmo e para pior. Porque o sistema financeiro, os novos/velhos vampiros do século XXI, precisam de ser convenientemente alimentados pelo nosso sangue. Ou, nas sábias palavras de Cavaco Silva, é preciso respeitinho pelos nossos credores – seguradoras, bancos, fundos de investimento, especuladores em geral – para que eles não se zanguem connosco.

Como ilustra com grande expressividade o texto publicado no blogue Delito de Opinião, “o país foi consumido por uma orgia salazarenga de caridade e devoção. Os sem-abrigo casaram-se em barda, as mães de Cascais fizeram soufflés aos entrevados, a Júlia e o Goucha entrevistaram manetas, tuberculosos e débeis mentais. Os alcoólicos sorveram sopa com cheirinho, muito boa, muito quentinha. Um patego da Guarda trajou de pai natal e deu chocolates do Lidl à terceira idade.” (ver aqui o texto completo).

O nosso voto para 2011: que a revolta dos comuns demonstre que este país elogiado pelos seus “brandos costumes” não tem a espinha quebrada e que uma maioria cidadã se levante contra o veneno neoliberal que os vendilhões do templo nos querem impingir como banha da cobra salvadora. Porque, como cantou Geraldo Vandré, “Esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

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Ontem foi noticiado, de acordo com a táctica governativa de anúncio diário a conta-gotas das venenosas prendas aos portugueses para o Ano Novo, que serão retiradas em 2011 as isenções de taxas moderadoras no SNS aos reformados e desempregados que recebam mais de 485 euros mensais, o novo valor do salário mínimo nacional.

Justificação televisiva do Secretário de Estado da Saúde (isto não é anedota!!!): é por razões de justiça social, não por razões orçamentais, que o Governo tomou esta medida, pois há reformados e desempregados que têm significativos rendimentos patrimoniais e familiares.

Este governante não sabe certamente o que é viver com 500 euros mensais, pagar medicamentos mais caros, ou viver com a humilhação quotidiana a que são sujeitos os desempregados que ainda conseguem receber subsídio – o “mercado” dos carimbos, as apresentações condicionais e o regime de liberdade condicional, as sessões colectivas anedóticas com técnicos nos Centros de Emprego para exibição pública da sua miséria individual, etc..

Mais palavras para quê? É um artista português, pertencente ao Governo “socialista” que ostenta a desonra do maior ataque de sempre ao magro Estado Social português com que pretende consolar, sem sucesso, os insaciáveis “mercados financeiros” que, tal como Roma, “não pagam a traidores”, por muito que estes, os auto-proclamados socialistas que engoliram a cartilha neoliberal, se esforcem por os contentar. É afinal um discípulo esforçado de Sócrates, o mestre de gastar as palavras e os conceitos usando-os no seu contrário.

Não diz Sócrates que é um defensor do Estado Social e da Justiça Social, ao mesmo tempo que rasga o acordo para elevar o SMN para 500 euros, chora lágrimas de crocodilo pela imoralidade do capital mas recusa a tributação dos muitos milhões distribuídos pela PT & Cª aos accionistas, satisfaz os patrões com apenas um aumento miserável do SMN de 33 cêntimos por dia e enterra milhares de milhões de euros dos contribuintes para satisfazer parcerias com os negócios dos privados e no buraco do BPN? Sempre fraco com os fortes e forte com os fracos…

Será que temos que inventar novas palavras, face à manipulação a que Sócrates submete conceitos que representaram a luta de gerações no século XX?

E uma raiva a nascer-nos nos dentes…

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Nunca uma mensagem de Natal do Presidente foi tão apelativa. E divertida. E popular: só no youtube foi vista mais de 15 mil vezes! É hilariante a versão rap da mensagem de boas festas do casal Presidencial. A Presidência bem que poderia reforçar o Gabinete de Comunicação e Imagem com a contratação de Rui Unas.

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Campanha de Natal

Os votos de boas festas que o PSD pôs a circular dizem tudo sobre a “estabilidade governativa” que garantem defender. Que não oferecessem bolo-rei até se entendia. Mas um boletim de voto (com cruzinha preenchida e tudo) em vez dos sininhos, das renas e do Pai Natal? Não me digam que não acreditam que as eleições legislativas são em 2013?

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A legenda à fotografia de Vieira de Silva na página 4 do Expresso de hoje é de muito mau gosto.

Na imagem surge o Ministro da Economia de pé, em frente a um microfone, no Palácio de São Bento. Vieira, enquanto responde aos jornalistas, fixa com o olhar um Código do Trabalho que está em cima de uma das cadeiras da sala (foto de Tiago Miranda).

E eis a legenda que o Expresso escolheu para acompanhar a foto: “Vieira da Silva com um olho no código do trabalho e outro nas suas alterações. Mudar sem pôr em causa o original, eis a questão”.

Como diz o outro, “não havia necessidade”…

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Eis mais um criativo grupo da música cantada em português, representativo de uma nova geração que não desiste do futuro e de reflectir sobre a nossa condição. Zé Afonso e Adriano, que já partiram, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Fausto, e outros que por cá felizmente nos continuam a acompanhar na viagem, há razões para confiarmos. A passagem de testemunho está garantida com os Deolinda, o J. P. Simões, o B. Fachada, os Caruma, o Camané, e tantos outros, que continuarão a criar e reflectir criticamente sobre o seu/nosso tempo e as nossas vidas.

E “pra não se dizer que não falei de flores” neste elogio, como cantaria e diria Geraldo Vandré, recordo que a canção dos Caruma que aqui fica (“Nossa Senhora do SIS”) me puxa inevitavelmente a memória para a notícia recente de que os grupos económicos (no caso a tão falada Ongoing que já recrutara o deputado do PSD da Comissão de Inquérito) estão interessados no recrutamento do ex-Director do SIED, o serviço de espionagem do Estado português no exterior, não certamente pelos seus lindos olhos, mas pelo valor da informação estratégica a que acedeu na sua condição de especialista de informações. E nem sequer um conveniente e púdico “período de nojo” é legalmente imposto pelo Estado português nestas situações. Claro, o (mau) exemplo há muito vem de cima.

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Fui ver este filme. Tocou-me fundo. Fui vê-lo na celebração, com a minha companheira, de 39 anos de namoro. Acertámos. Sendo um documentário destes sempre uma reconstrução e selecção do real, parabéns ao realizador Miguel Gonçalves Mendes que tão bem soube captar aquelas vidas, emoções, convicções. Com a naturalidade de quem teve a arte e o engenho de se tornar, com a sua câmara, ao longo de quatro anos, parte da paisagem familiar. Pacientemente. Sem o que não seria possível o mergulho na celebração da vida de dois seres humanos espantosos, cada um a seu modo, que souberam tornar a sua união num todo mais potente que a soma das partes.

E obrigado, Pilar e José, pela inspiração deste filme para as nossas vidas. Pelo testemunho de convicções fortes, de afectos profundos e solidários, de determinação comovida de viver cada dia como se fora o primeiro do resto das nossas vidas. Uma sinfonia criada e tocada a quatro mãos.

Fica-me uma interrogação: não justificaria este documentário, com a relatividade simbólica destas coisas (vanitas, vanitatis), uma candidatura aos Óscares?

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