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Archive for Abril, 2011

O meu nome é Ana Catarina Santos. Sou jornalista da TSF há treze. E orgulho-me muito disso. A minha rádio é a melhor rádio do país. O jornalismo que se pratica na minha rádio é do melhor jornalismo que se pratica no país. Os profissionais da TSF são do melhor que há no jornalismo nacional.

Está em curso uma infeliz campanha de destruição da imagem e credibilidade da TSF, num tom inaceitável. Ninguém me pediu que escrevesse esta “defesa da honra”, nem o que quer que fosse. Mas considero que se estão a ultrapassar todos os limites. Sou livre, felizmente, vivo em democracia e sou responsável pelo que escrevo e afirmo.

Quem me conhece sabe bem como sou crítica em relação ao mau jornalismo e intolerante com falta de ética e profissionalismo. Quem me conhece sabe muito bem que até sou crítica em relação a algumas decisões editoriais da TSF. Crítica e frontal e por isso sinto-me completamente à vontade para escrever estas linhas, completamente insuspeita. Muitas vezes critico o trabalho da minha rádio, o meu inclusive. Só assim, com crítica activa, vigilante e construtiva, podemos melhorar diariamente.

Conheço a minha rádio por dentro e por fora. Conheço as suas práticas, as suas rotinas, as discussões, as preocupações, as pressões (claro que há, mas alguém imagina que não?), sei bem como são escolhidos os temas do dia, o tema do Fórum.

Por isso considero a violência dos comentários inaceitável. O tom de raiva é excessivo. O nível de vocabulário é medonho. As considerações são indignas. Esta campanha repugna-me! Enoja-me! Sei que estes comentários não são de ouvintes TSF. Os verdadeiros ouvintes TSF não são assim. Reconhecem o valor da sua Rádio e a credibilidade da sua informação, respeitam-nos. Os verdadeiros ouvintes TSF sabem do que eu estou a falar.

A TSF tem 23 anos de provas dadas de isenção e rigor. Todos os dias, repito – todos os dias – recebemos queixas de ouvintes e também de partidos políticos (não sejamos inocentes). Nuns dias criticam-nos porque somos a voz do PS, noutros dias já somos a do PSD. Nuns dias, só damos CDS. Noutros, somos máquina de propaganda do PCP ou do Bloco de Esquerda. “Rádio Bagdad”, “Rádio Oficial Laranjinha”, “Rádio do PS”, “Rádio dos Camaradas”, “Gabinete do Cavaco”, etc… Tantos rótulos. Que bom. Incomodamos muita gente, é verdade.

O Fórum TSF foi uma inovação nas rádios portuguesas e foi introduzido pela TSF, como quase todas as inovações feitas na rádio em Portugal. É um espaço aberto à opinião dos ouvintes: sem filtros, sem censura, sem perguntas prévias sobre o que os ouvinte ou convidados pretender dizer em directo. E esta é a regra que existe há duas décadas.

Todos os dias há Fóruns TSF. Todos os dias há quem diga de sua justiça contra ou a favor do Governo. As pessoas inscrevem-se com o nome que querem, com a profissão que querem, apenas registamos o número de telefone no momento da inscrição, para lhes ligarmos de volta quando entram em directo. E o método de entrada no Fórum é todos os dias – repito, todos os dias – igual: as pessoas entram por ordem de inscrição. Que é o que faz sentido, aliás. Ou fará sentido passar para directo uma pessoa que se inscreveu às 11.30h, quando outra manifestou interesse em participar duas horas antes? Ou fará sentido passar para o Fórum um juiz que se inscreveu às 11h, passando à frente de um desempregado que se inscreveu às 9h da manhã? Não faz qualquer sentido, pois não? Não. A regra é sempre a mesma e tem funcionado na perfeição. A TSF não escolhe os ouvintes.

Quem anda na política sabe bem que os Fóruns são escutados muito atentamente nos gabinetes. Mas não é preciso andar na política para se saber que os aparelhos partidários mobilizam militantes ou simpatizantes para participarem nos Fóruns, seja o da TSF ou quaisquer outros, que copiaram o modelo. Os partidos pedem às pessoas da sua confiança para que se inscrevam no Fórum. Isso é ainda mais evidente em períodos eleitorais. Mas a regra existe para todos. Quem conhece melhor as regras do jogo, joga melhor.

Não vou falar em concreto sobre o Fórum em que o PM esteve como convidado. Mas se algum aparelho partidário funcionou no dito Fórum para “promover” o entrevistado; outros aparelhos estão agora a promover a campanha anti-TSF. Estão a desperdiçar munições… O alvo não é o mensageiro, que é sempre o mais fácil de abater.

E a prova de que a TSF é um gigantesco (e cada vez mais raro) espaço de liberdade, é o facto de a antena da TSF continuar a aberta diariamente aos ouvintes no Fórum para dizerem o que quer que seja; é o facto de o mural do Facebook da TSF estar totalmente aberto a comentários (comparem com outros órgãos de comunicação social, só para tirarem a prova); é o facto de o site da TSF ser totalmente livre nos comentários (mais uma vez, comparem com os outros o.c.s.); e é o facto de continuarmos a fazer o nosso melhor jornalismo todos os dias.

Não gosto que digam mal da minha Rádio sem justificação. Não gosto que enxovalhem o meu nome, porque sou TSF, sem fundamento. Não gosto que atirem lama em cima de Profissionais com letra maiúscula. Não gosto que cuspam no meu nome, porque sou TSF. Não aceito que venham grafitar de calúnias na minha porta. É uma vergonha, sim, esta manipulação, esta campanha difamatória anti-TSF. Quem ganhará com isto? Era interessante que reflectíssemos todos sobre o assunto.

Não são só os Fóruns TSF que incomodam. A informação TSF incomoda. O jornalismo da TSF incomoda. A TSF incomoda. Que bom. Que orgulho. Que luxo, nos dias de hoje.

Ana Catarina Santos

29 Abril 2011

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Não se confundam, este é o outro!

Sócrates, hoje no Fórum TSF, proclamou que ainda “vamos ter saudades do PEC” (ver aqui ou aqui). Isto no meio das habituais garantias de que os portugueses podem confiar nele e no Governo, que estarão a dar o seu melhor. E, como todos podemos testemunhar, Sócrates e os governantes têm sido gente de palavra…

Se o melhor que nos podem dar é isto que estamos a sofrer, fica-nos entretanto a dúvida:

Terá Sócrates praticado um lapsus linguae e teria querido dizer que ainda vamos ter saudades do PREC? 

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De vez em quando, a RTP lembra-nos que também é serviço público, e que serve para alguma coisa o que somos obrigados a pagar. Foi assim com a série em três episódios Maior que o pensamento, apresentada em horário nobre durante três dias no período de celebração da Revolução de Abril.

Estão de parabéns Joaquim Vieira e toda a equipa que produziu este notável documentário sobre José Afonso. Cantor, poeta e criador genial. Revolucionário generoso, íntegro, humano e solidário. Maior que o pensamento. Ainda sem o tributo e a homenagem nacionais que o seu génio, a sua obra e a sua humanidade merecem.

José Afonso. De quem Gunther Walraff, esse grande jornalista apaixonado pela Revolução Portuguesa, diz no documentário que “ele falava como vivia, sem haver contradição”. Que grande inspiração de vida e que melhor confronto com os que hoje, “do alto império” prometem “um mundo novo” enquanto se acolhem à sombra e proveito dos interesses instalados.

José Afonso. Que José Mário Branco, num comovido e rigoroso testemunho, definiu pelo seu  “sentido da justiça, da decência e da solidariedade. Um revolucionário”.

José Afonso. Que no seu último concerto no Coliseu dos Recreios, já gravemente atingido pela doença que o vitimou, rodeado de amigos que com ele cantaram e desbravaram os caminhos do canto novo em português, se transfigurou, superando as limitações da sua condição física para dar aos outros o melhor de si e da sua arte. E para cantar premonitoriamente essa notável Balada de Outono “Águas das fontes calai, ó ribeiras chorai, que eu não volto a cantar”.

José Afonso. Como soube sintetizar Sérgio Godinho, seu companheiro de muitas lides e cantos, no encerramento do último dos três episódios, “o Zeca abriu janelas onde nem paredes havia“.

Um apelo: que este documentário seja rapidamente editado e distribuído, para ser partilhado e fruído por muitos mais. Testemunho valioso de um ser humano e criador de eleição, que em tempos de crise e servidão nos restitui o orgulho e a esperança da condição humana.

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Quando os vampiros – que José Afonso denunciava cantando – voltam a atacar, cavalgando a crise e espalhando o medo, o que faz falta é avisar a malta! Uma boa maneira de celebrarmos o melhor da herança do 25 de Abril e da contemporaneidade dos seus valores, justo motivo de orgulho nacional, lição de mobilização popular, de criatividade e de cidadania.

E não, não somos todos responsáveis por igual pela frustração de sonhos e projectos, nem pelo défice ou pela dívida. Nem é inevitável o programa de destruição dos direitos sociais, de aumento do desemprego, da pobreza e da desigualdade, de transformação de Portugal em protectorado governado pelos credores, que os mesmos que nos têm (des)governado agora pregam com ar compungido e responsável, em vários tons, como expiação necessária (pelos outros) para salvação das nossas almas.

Porque inevitável é a vossa tia! E se fôssemos na conversa do “inevitável”, nem os militares do MFA tinham feito o levantamento militar do 25 de Abril, nem tinha havido o levantamento popular que consolidou e transformou a revolta em revolução, nem Maio tinha completado e impulsionado Abril.

E não, não é assim, que vamos lá, com o pretendido unanimismo de um falso “interesse nacional” com que os poderosos de sempre fazem pagar a factura dos seus privilégios e mordomias aos do costume.  Não, enquanto os novos vampiros do capital financeiro não pagarem a parte que lhes cabe. Não, enquanto não houver uma mais justa repartição da riqueza, para haver também uma mais justa repartição dos sacrifícios.

Sim, é possível! Como o 25 de Abril, há 37 anos provou. Mesmo sendo revolução inacabada. Como, aliás, todas as revoluções. Nas mãos das “gerações à rasca” de hoje estão as chaves do futuro. Vamos rejeitar o medo e as depressões. Essa a lição de Abril que vamos reter. Lembrando aqui o inexcedível e límpido poema de Sophia de Mello Breyner e uma canção apropriada desse cantor “maior que o pensamento”, José Afonso.

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner

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Em entrevista à RTP 1 citada no Jornal de Negócios, o regressado Ferro Rodrigues  vem defender “que haja um acordo, um acordo político que dê uma maioria forte no Parlamento, esse acordo tem de ser negociado a seguir às eleições”.  Contrariamente ao que defendeu na altura, dizendo que se deveria tentar “um Governo à esquerda”, proclama agora que isso seria “completamente impossível”.

E porquê, agora que mais do que nunca existem boas razões para acrescentar esquerda à esquerda, de modo a romper com este ciclo ruinoso de governação do bloco central de interesses, ora com o PSD/CDS ora com o PS?

Ferro dá um argumento espantoso, que ficará certamente nos anais do pensamento político como desculpa de mau pagador:

Porque ao longo do último ano e meio os partidos de “extrema-esquerda” mais não fizeram do que “colaborar com a direita em relação à queda do Governo“. Assim. Sic!!!!

Ou seja, se bem percebemos o argumento:

Que o PS se alie com o PSD ou com o CDS, ou com os dois, na Assembleia da República ou no Governo, contra os partidos à sua esquerda, é normal. Business as usual.

Que o PCP e o BE votam de modo convergente com o PSD e o CDS (ou vice-versa) alguma crítica ao Governo, alguma resolução, alguma projecto legislativo que desagradem ao PS e ao seu Governo, isso é pecado mortal. Mas só é pecado mortal para os partidos à esquerda. Quanto ao PSD e ao CDS, estão sempre perdoados por Ferro e pelo PS. Afinal, são partidos do “arco do poder” (ou devemos antes dizer do “arco dos interesses” ?), o tal “arco” que fez da governação do país a conhecida receita para o desastre que nos querem agora fazer pagar.

São gente respeitável, que frequenta os mesmos gabinetes, os mesmos conselhos de administração, as mesmas sociedades de advogados, os mesmos restaurantes, as mesmas sociedades ditas “secretas”. Afinal, não anda o próprio Mário Soares numa roda viva de contactos com essa gente para conseguir a tal “maioria forte” ? Que salve os interesses da mesma elite que sempre que nos tem apertado o cinto em nome dos “amanhãs que cantam” e que todos os dias nos que explica como é que desta vez é que é, desde que fiquemos mansos, sofridos e quietos?

Alguns dirão que fez bem a Ferro o seu exílio dourado de embaixador junto da OCDE. Mas os que cá por cá sofrem, e resistem, e protestam, e querem uma mudança de rumo, percebem muito bem que se trata apenas de mais uma captura pelo “arco dos interesses”.

E dá vontade de perguntar a Ferro: e a esquerda, pá?

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Porque hoje é sábado, aqui fica, em dose dupla, o Manifesto dos 74 nascidos depois de 74 e outro manifesto, este da minha geração, o poema de Natália Correia musicado e interpretado por José Mário Branco, a Queixa das Almas Jovens Censuradas. Um 2 em 1 que se justifica. Ou uma forma possível de dar testemunho de que a capacidade de resistência, de protesto e de esperança está a passar por aqui. Por quantos não abdicam de lutar pelo direito ao futuro e que recusam aceitar um presente sem direitos nem futuro.

O Inevitável é Inviável: Manifesto dos 74 nascidos depois de 74


Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.

O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.

O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.

O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.

Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada.

Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!

Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage – sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno – analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes
Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante

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Há uma questão cigana por resolver também na sociedade portuguesa. Ou seja, da integração dos ciganos na sociedade politicamente organizada, com direitos e deveres enquanto cidadãos.

Com respeito certamente pela sua cultura e com medidas de apoio à integração social e cívica de uma minoria que sofre o choque da modernidade com os seus valores e padrões de vida e as consequências sociais do desaparecimento de profissões tradicionais e da pobreza.

Mas não confundindo respeito pela especificidade da sua cultura com tolerância pelo que é crime se é praticado por qualquer cidadão, de origem cigana, negro, branco ou mestiço. Nem confundindo a promoção do diálogo entre culturas, e o enriquecimento das sociedades que o interculturalismo e essa partilha do que é diferente estimulam, com um falso multiculturalismo de vulgata que promove a manutenção de guetos e de separatismos étnicos ou com a abdicação do funcionamento de um Estado de Direito para todos.

É disto tudo que nos dá testemunho Manuel Rocha, professor e músico da Brigada Vítor Jara, comunista e provado militante de muitas causas sociais e cívicas, da sua experiência de vítima de uma agressão recente. Sem azedumes. Procurando reflectir e tirar lições úteis para todos. Sem se vergar a um certo discurso “politicamente correcto” que faz moda. E sem ponta de xenofobia também.

Obrigado, Manuel, pelo teu testemunho. É assim que à esquerda precisamos de enfrentar e não esconder os problemas reais da integração e da construção de uma sociedade cidadã onde caibam todos. Sem desresponsabilizar ninguém.


Na primeira pessoa “Que gritassem, pelo menos que gritassem”
Graça Barbosa Ribeiro
Edição Público Lisboa
21 Abr 2011

Desde que se me partiu uma perna que passei a ver as coisas de outra maneira. Não por causa da perna, mas do que soube depois. Começou no hospital. Veio um amigo e contou uma história, outro e fez uma confidência, depois veio um conhecido e falou-me do…leia mais…

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