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Archive for Julho, 2011

Vida

Cheguei a casa.

Sabe bem voltar a casa.

Sinto que a minha vida, nas últimas quase seis semanas, foi uma montanha russa.

Ups and downs like a merry-go-round.

Emoções, experiências, conhecimentos, viagens, pessoas, reuniões, diversão, lágrimas, gargalhadas, afectos, homens, mulheres, abraços, olhares, cheiros, o arco-íris de Black-Hills, cores, rostos, pessoas, sons, sentimentos, sotaques, idiomas, pensamentos, frases, pessoas, alegria, tristeza, sabedoria, atitude, povo, ideias, vontades, blogue, medo, solidão, ansiedade, felicidade, amor, saudade, postais, preocupação, avó, aperto, memórias, culpa, estradas, rádio, livros, olhos, olhares, poemas, prédios, a espreguiçadeira na noite de High Line em NY, as estrelas, a noite, em que pensas?, lábios, vozes, pessoas, o cabelo despenteado da sem-abrigo “Miss Dallas” ao acordar, revolta, conformismo, cobardia, sociedade, energia, arquitectura, rugas, hábitos, hálitos, amigos, arte, histórias, bom, hamburgueres, aviões, suores, calores, calafrios, cidade, urbe, a roda gigante de Chicago, descalça, olhos fechados, “mereço?”, lágrimas de felicidade, luz, tempo, mapas, danças, dançar, música, cantar, fotografia, verdade, sentir, temer, erros, entrega, pessoas, dor, o olhar fixo daquele prisioneiro em Stateville, o som da prisão, mensagens, palavras, esperança, sonhos, futuro, o sol da meia noite no Alaska, o silêncio, em que pensas?, o búfalo a atravessar a estrada, gargalhada, nudez, molhar os pés no Lago Michigan, correr de sapatos na mão, molhar o vestido, partir, pessoas, amizade, adeus, dor, palavras, promessas, saudade, voltar, casa. Eu.

Vida.

Viver.

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No dia em que aterrei nos EUA, há um mês, estranhei que fosse das poucas pessoas atentas ao tapete rolante onde as bagagens iam surgindo por detrás da cortina negra de plástico. As malas rodavam, abandonadas, mas a atenção dos passageiros do aeroporto de Dulles-Washington DC naquele dia fixava-se nos ecrãs da televisão. Vários grupos de pessoas amontoavam-se, de cabeça erguida, atentos ao folclórico “breaking news”. Como tinha estado fechada no avião durante várias horas pensei poder tratar-se de um atentado, uma explosão ou algo verdadeiramente grave. Aproximei-me e li qualquer coisa como “Casey Anthony’s Trial – not guilty”. Não percebi do que se tratava apenas pelo título, mas calculei que fosse assunto sério.

Passou um mês, percorri várias cidades e Estados norte-americanos e o caso continua a provocar “breaking news”. Bastam dois minutos de tv’s, rádios ou jornais e percebo que o caso de uma mãe que supostamente matou uma filha com violência e foi declarada inocente pelo tribunal é – e continua a ser um mês depois – o tema mais importante para a nação americana. 

Há horas intermináveis de debates, fóruns, análise, comentários, etc. Há até concursos em que o telespectador participa, dá opinião sobre o caso (dita a sua sentença popular) e ainda pode ganhar telemóveis! Há quem chame a isto “infotainment”; eu prefiro a expressão “dumbtainment”. E este é “O” tema que mais preocupa a maior economia do mundo através dos media.

Lembrei-me do chamado “caso Joana”, que tanta tinta fez rolar em Portugal. Critiquei, na altura, o comportamento dos media portugueses. Critico agora também o comportamento dos media norte-americanos. Talvez sejam mais as semelhanças do que as diferenças. E, apesar de tudo, acreditem que os media portugueses podiam dar lições de sobriedade aos norte-americanos, neste caso concreto. Ou isso ou então as tv´s portuguesas não têm dinheiro para oferecer telemóveis em primetime.

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As agências de rating são uns malandros (e são mesmo!). É preciso pôr-lhes rédea curta. Cometeram uma injustiça contra Portugal. Que é tão bom aluno. Que é tão pacífico e bem comportado. Que não é como aqueles aldrabões dos gregos (claro que não foi bonito aquilo de nuestros hermanos terem logo proclamado que a Espanha não era como Portugal). Um povo que ainda agora deu a maioria absoluto a um governo que tem a benção da cruz e do cifrão. Que aprovou o programa que a troika ordenou. Que já afirmou que até quer ir mais além no sacrifício e aplicar a todos os silícios penitenciais. Que num assomo de excesso de zelo até inventou a treta da surpresa do défice que há muito conhecia para justificar um corte brutal no subsídio de Natal. Corte este, aliás, abençoado pelo Cardeal Patriarca, que num testemunho de como vão longe os tempos em que a Igreja Católica ainda tinha um efectivo discurso social e para o mundo do trabalho, logo declarou para as suas ovelhas que o corte era uma “medida equilibrada”, em que “não há discriminações”, certamente esquecido de que não há cortes nos dividendos nem nos lucros.

E é assim que a indignação assola um País ofendido com uma agência que nos trata como lixo para que os mercados possam ganhar mais uns cobres. Dos banqueiros ao Presidente da CIP que perguntava se as agências queriam que fizéssemos também o pino. Do Presidente da República que ainda há pouco proclamava que não se devia criticar as agências de rating ao Primeiro-Ministro que apanhou um murro no estômago das suas convicções. De Mário Soares aos comentaristas de serviço que diariamente fazem a homilia dos mercados e da sua racionalidade. Finalmente, uma rara unanimidade nacional num assomo de orgulho pátrio.

Mas afinal, que fez a Moody´s que as agências de rating e os mercados financeiros não andem a fazer há anos, contra Portugal, contra a Grécia, contra a Irlanda, atacando as periferias mais frágeis da zona euro para visar mais longe e mais fundo – o enfraquecimento do euro e da União Europeia, gigante económico e anão político – e, ao mesmo tempo, ganharem com o sobe e desce da especulação financeira sobre os mais fracos?

Então a Fitch não baixou há poucos meses três níveis ao rating da dívida portuguesa, sem que se levantasse qualquer coro de indignação? Então em 2007 o crash financeiro nos EUA não começou com as excelentes classificações atribuídas por estas agências a bancos e fundos de investimento falidos e especulativos? Então de cada vez que se anunciou um PEC, o programa da troika, o corte no IRS, Baal, perdão, os mercados, não responderam, agradecendo aos crentes com novas e lucrativas subidas das taxas de juro da dívida?

Também quando os líderes europeus começaram a acordar para a crise financeira iniciada nos EUA em 2007, não assistimos então a grandiloquentes declarações de Sarkozy, Merkel e outros quanto à urgência de controlar um sistema financeiro global que tomara o freio nos dentes na busca insaciável do lucro? E viu-se como tudo isso morreu na praia, logo que a tempestade amainou e os cidadãos e as opiniões públicas desarmaram…

De nada valeram quatro PEC (o último morreu nos braços de Sócrates), o programa da troika, o anunciado corte brutal do subsídio de Natal, um programa de privatizações a preços de saldo, o esforço de um Governo em excesso de zelo que explora a anestesia pública e um PS dócil e cúmplice para fazer prova de bom aluno, mais papista e neoliberal que os neoliberais papistas que controlam FMI, BCE e uma União Europeia desorientada. Tamanha injustiça não se vira ainda.

Até o nosso Primeiro, que numa primeira e chorosa reacção chamou à decisão da Moody’s um murro no estômago, logo se remeteu a um silêncio cobarde, muito elogiado como sinal de esperteza política por alguns comentadores de serviço e pelo seu patrono na Presidência, quando não passa de tique timorato do “bom aluno” que, mesmo na adversidade, não quer desagradar aos mercados que venera e sempre espera que sejam os outros a tirar as castanhas do lume.

Afinal, todos os murros no estômago dos portugueses, desferidos por este Governo e pelo anterior, não foram sempre dados em nome do respeitinho pelos mercados, da necessidade de acalmar este novo deus Baal, que exige sempre e sempre novos sacrifícios? Ou a memória curta já nos leva ao ponto de esquecermos os discursos de Passos Coelho e de Cavaco Silva clamando pela necessidade de respeitar os mercados, de não dizer mal deles, porque afinal a doença é nossa e querem curá-la sangrando mais e mais o doente?

Estávamos à espera de quê? Que os especuladores, os fundos de investimento, as agências de rating que os servem, acreditassem que Portugal vai pagar uma dívida que cresce todos os dias, como a grega, fruto do insuportável crescimento de encargos financeiros odiosos? Queriam que os especuladores e as suas agências, face a um programa de privatizações anunciado, maior ainda do que o exigido pela troika, se esquecessem que esta é uma óptima oportunidade para comprar ao desbarato ganhar mais algum subindo o preço dos empréstimos e que, para isso, é preciso desvalorizar ainda mais os títulos das empresas e a dívida do País, como está a suceder à boleia da operação da Moody´s?

Claro que é preciso criar os títulos de dívida pública europeus para que a UE possa gerir, sem dependência da especulação insaciável, a dívida pública dos Estados membros mais frágeis. Claro que é preciso uma agência de rating europeia, pública, não dependente dos interesses privados nem envolvida nos mesmos negócios que avalia, como sucede com estas agências norte-americanas que fazem notação financeira, ao mesmo tempo que compram e vendem títulos nos mercados financeiros por conta própria e aconselham os investimentos dos seus clientes. Claro que é preciso uma taxação europeia das transacções financeiras que limite e controle as operações especulativas de capitais. E também seria preciso acabar com o cancro dos paraísos fiscais, para onde os mesmos adoradores de Baal que choram lágrimas de crocodilo pelas injustiças feitas a um aluno tão bem comportado transferiram impunemente no ano passado um volume recorde de capitais que tanta falta fazem ao financiamento do país. E também é precisocontrolar esses CDS (credit default swaps) e outros produtos derivados de risco que servem de alavanca da especulação, estão nos alicerces da crise e ninguém controla de facto. E encarar agora e já, antes que estejamos de rastos e sem forças, a auditoria e a reestruturação da dívida pública, renegociando com os credores prazos e valores da dívida legítima.

Seria afinal precisa uma política europeia solidária e coesa de defesa da zona euro e das suas economias, que não fosse este apagado e vil naufrágio de um barco europeu a meter água por todos os lados face ao ataque desferido por quem se apercebeu do risco do euro como divisa alternativa e credível face ao dólar e usa as agências de rating como instrumento.

Mas tudo isto, que de vez em quando, em forma avulsa e sem nexo, é ressuscitado nas lágrimas de crocodilo dos adoradores de Baal para consolo da opinião pública, há muito está defendido pela ATTAC, pelas esquerdas que não se vergaram ao capital financeiro, por sindicatos, por economistas  críticos (ver aqui e aqui)que não se submetem ao pensamento único dos que ocupam as televisões com as suas certezas do aperto do cinto em nome dos amanhãs que cantam, que nunca se enganam e sempre nos enganaram.

Só que estas medidas exigem uma mudança decidida de rumo à escala europeia, para que não caminhemos de naufrágio em naufrágio (hoje, a Grécia, amanhã Portugal, depois a Espanha, e o euro, e a União Europeia) até ao salve-se quem puder final e o retorno a uma Europa dividida e instável de má memória. Uma mudança de rumo que implica afrontar os especuladores, os mercados financeiros, que implica um programa coerente e alternativo, impondo o primado da política, dos bens públicos, do Estado Social e do interesse público, submetendo a gula insaciável de quem quer sempre e sempre, cá dentro e lá fora, socializar os prejuízos e privatizar os benefícios.

Como refere Daniel Oliveira na sua crónica de hoje no Expresso, “se quisermos ser apenas ‘bons alunos’ numa escola que já fechou espera-nos o mesmo fim patético do ditador: a fingir que ainda decidimos alguma coisa até chegar a hora das nossas exéquias.”

Ora alguém acredita que estes adoradores de Baal, em Portugal e na União Europeia, vão fazer mais do que largar umas lágrimas de crocodilo para consolo público, ou mexer apenas o indispensável para que tudo continue na mesma, a não ser quando os cidadãos se fartarem desta vilanagem e se mobilizarem a sério para pôr cobro a esta apagada e vil submissão do trabalho, dos povos, dos direitos sociais, do projecto de construção europeia, à gula insaciável de predadores financeiros que cá dentro e lá fora apenas olham para as pessoas como mercadoria e fonte de lucro, e que acham, qual Pangloss moderno, que o darwinismo social que apregoam é o melhor dos mundos? Ou que no fundo pensam, como também dizia Salazar, que “tudo está bem assim e não podia ser doutra maneira”?

Até um dia…qualquer dia…

 

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O país parou: 4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos. Os americanos ficam loucos. É feriado nacional. Famílias saem para passear, milhares de carros, bicicletas, Harley Davidson com condutores sorridentes sem capacete, há estradas cortadas, centenas de polícias nas ruas, há fogo-de-artifício, rodas gigantes e carrosséis, pipocas, hotdogs, concursos de rodeo, de miss american wet t-shirt (muito popular nas redondezas, por sinal), concursos de miss cowgirls e até “de patriotismo”.
A cidade de Rapid City, a mais próxima do rancho onde estou alojada (a uma hora e meia de distância!), está a concorrer ao título nacional da cidade mais patriótica dos Estados Unidos. Em todo o Estado do South Dakota há literalmente milhões de bandeiras azuis e brancas: umas penduradas nas janelas, outras coladas nos postes, esticadas nas paredes, espetadas em bolos. Há balões com as cores nacionais, guardanapos, toalhas, pratos, meias, bonés, bandeirinhas portáteis nas mãos de toda a gente e estampadas em tudo o que é t’shirt: “USA in my heart”; “Love your country”; “Does my patriotism hurt you?”
Ainda não percebi se o voto para este concurso de patriotismo também é electrónico, mas sei que ninguém fala noutra coisa. Para não me olharem de lado, lá acabei por comprar uma t-shirt por 3 dólares e um chapéu à cowboy. Um sucesso! Tudo made in China. Isn´t it beautiful?

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1 – O Alaska é o maior Estado norte-americano em área. Mede mais de 1 milhão e 700 mil km2, quase 20 vezes o tamanho de Portugal continental;

2 – É habitado por cerca de 600 mil habitantes, tendo a menor densidade populacional do país;

3 – Os Estados Unidos compraram o Alaska à Rússia em 1867;

4 – 20% dos Alaskanos são indígenas; há 220 aldeias nativas no Estado do Alaska e 20 idiomas nativos reconhecidos;

5 – É um dos Estados mais ricos dos Estados Unidos em recursos naturais (principalmente petróleo): o petróleo representa 90% da riqueza daquele Estado;

6 – É, simultaneamente, um dos dez Estados mais pobres dos Estados Unidos, com índices de pobreza, em várias regiões, semelhantes aos do Paraguai;

7 – Cada cidadão do Alaska recebe desde o nascimento cerca de 1200 dólares por ano, como incentivo à fixação no território;

8 – O Alaska tem a mais elevada taxa de alcoolismo dos Estados Unidos;

9 – O Alaska tem a mais elevada taxa de violência doméstica do país: 60% das mulheres do Alaska já sofreram abuso sexual, violação ou violência doméstica;

10 – Os níveis de abstenção rondam os 60%; é um Estado Republicano.

(Fonte: Censos 2010 EUA; algumas informações fornecidas pelas autoridades locais)

 

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