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Archive for Novembro, 2011

un loup dans la nuit

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“Foi a maior Greve Geral de sempre. Trabalhadores, dos sectores público e privado, identificados com os objectivos da luta e empenhados na procura de alternativas e na construção de um projecto para o país, demonstraram hoje a sua indignação e o seu protesto pelo brutal ataque que o governo e agentes estrangeiros estão a fazer aos seus direitos, à democracia e à liberdade.” Palavras dos dirigentes sindicais da CGTP-IN e da UGT no balanço feito na conferência de imprensa em que fizeram o balanço desta jornada de resistência e de protesto social (ver aqui o vídeo).

Greve geral que teve duas importantes novidades: (1) as manifestações sindicais que trouxeram a greve geral para a rua pela primeira vez nas principais cidades do país e que, em Lisboa, (2) convergiram com uma poderosa manifestação de outros movimentos sociais, estudantes e movimentos de trabalhadores precários. Dando testemunho na rua de uma aliança de gerações. conduzindo à fusão, frente à Assembleia da República em Lisboa, dos trabalhadores permanentes, dos activistas dos piquetes de greve e dos sindicalistas, com milhares de jovens que combatem por exigir um futuro no seu país. Sinal e presságio da grande plataforma social que é preciso erguer.

A ópera bufa montada pelo Governo e acólitos, ao longo do dia da greve, procurando ridicularizar e minimizar sem sucesso a sua real dimensão, resulta por isso mais chocante e ofensiva da dignidade das muitas centenas de milhar de trabalhadores que ousaram lutar e dar o corpo ao manifesto  aderindo à greve, .

O inevitável Relvas começou logo de manhã por anunciar alegremente que na administração pública haveria uma adesão de 3, 6%, num total de 12 800 trabalhadores aderentes e 112 serviços encerrados, sempre declarando hipocritamente que não queriam entrar na guerra dos números. Nessa altura,   só escolas encerradas na região de Lisboa estavam  já identificadas e listadas pelo SPGL na sua página web cerca de trezentas. Em novo balanço às 17.30, lá veio o Governo reconhecer que havia uma adesão de 10,5 % e cerca de 43 000 trabalhadores grevistas na função pública, com 296 estabelecimentos encerrados (só escolas, no país, encerraram mais). Então, 43 000 foram suficientes para tamanho impacto na vida e no funcionamento do país? Não se enxergam, nem vêm o ridículo em que se colocam?

Fica um enorme mistério para resolver: se foi tão baixo o número de aderentes na administração pública e se no sector privado não houve greve, como também proclamaram, , então de onde sairam tantos grevistas para paralisar esmagadoramente os transportes colectivos públicos e privados, os portos, os aeroportos, escolas, tribunais, repartições, hospitais e outros serviços de saúde, na AutoEuropa e no Parque Industrial de Palmela, na Tabaqueira, Saint-Gobain (Ex-Covina), Estaleiros Navais de V. Castelo, Lisnave, indústria corticeira (sim, incluindo no Amorim), Galp, Arsenal do Alfeite, Secil, Renaull Cacia, Centralcer, Vista Alegre, etc., nuns casos com completo encerramento, noutros assegurando serviços mínimos ou com forte adesão dos trabalhadores? De onde sairam os muitos e muitos milhares de manifestantes que, pelos seus meios próprios e sem transportes públicos, desfilaram em Lisboa até à Assembleia da República numa impressionante demonstração?

O empolamento e associação mediática à greve geral de actos localizados de vandalismo contra três repartições das Finanças em Lisboa, e de um incidente limitado junto á Assembleia da República, já depois da desmobilização da manifestação sindical, ilustram também como alguns teriam desejado que o rastilho da provocação ensombrasse e diminuísse o impacto da greve geral e fosse pretexto para futuras intervenções mais musculadas contra o movimento social e os trabalhadores. Sem sucesso.

Aderiram então todos os trabalhadores à greve geral? Não, certamente. O desemprego, a precariedade, o medo da crise, a resignação, o conformismo e o sentimento de culpa colectiva inoculados pelo poder político e económico em doses cavalares na sociedade portuguesa, são ainda poderosos obstáculos à mobilização social de todo o mundo do trabalho e ao exercício cidadão de uma democracia activa.

Mas foram muitos os que neste dia levantaram a cabeça e disseram presente. E milhões os que foram envolvidos, exerceram o direito de greve ou estiveram activamente solidários com ela. O que é uma mensagem demasiado forte para que poder político e poder económico possam ignorar a mensagem, mesmo que em público queiram assobiar para o lado.

Foi a demonstração massiva na hora certa de que estão a crescer e a convergir as forças sociais capazes de derrotar e inverter a caminhada para o abismo a que nos conduz a espiral de austeridade, recessão e empobrecimento que constitui a receita governativa e da troika. Ironia, ou farsa trágica, a agência de rating Fitch, neste mesmo dia, baixou a classificação do crédito a Portugal para o nível do lixo. Invocando como fundamento o comportamento recessivo da economia portuguesa e o agravamento da dívida, que são consequência exacta do programa de austeridade e empobrecimento do País posto em marcha como receita para acalmar os mercados.

Mudar de rumo, disse a greve geral.  Agora, é preciso saber ler os sinais e as lições, colher os frutos desta grande mobilização social e pensar o dia seguinte. Não perder a unidade de acção do conjunto do movimento sindical e a convergência e diálogo com os outros movimentos sociais como chaves de futuro. E a urgência de o PS abandonar a sua falta de comparência na oposição e o silêncio comprometedor da sua direcção sobre o mundo do trabalho e a greve geral, em contraste gritante com as outras forças de esquerda. A caminhada apenas começou.

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O comentário do patrão de Passos Coelho e eminência parda do Governo, Ângelo Correia, na noite da greve geral na SIC Notícias, é sintomático dos desejos de alguma direita em querer tirar proveito da mistura e confusão entre provocação e movimento social, aproveitando incidentes localizados e isolados para denegrir esta enorme mobilização social. Declarando do alto da sua presunção que “não houve greve geral”, logo aproveitou para, ao mesmo tempo que por decreto eliminava a dita cuja, misturar num embrulho provocatório grevistas com pequenos incidentes localizados e exteriores ao movimento sindical que se verificaram.

Claro que, conhecendo a história do personagem, se percebe melhor a sua necessidade compulsiva de ver sempre por detrás de uma greve geral uma terrível conspiração à espreita e não apenas o levantamento corajoso, cívico e democrático de humilhados e ofendidos fartos de serem espezinhados nos seus direitos.

Sim, este é o senhor que, então ministro da Administração Interna do VIII Governo Constitucional, ficou conhecido pela invencionice da “insurreição dos pregos”, quando veio à televisão, durante a greve geral de Fevereiro de 1982, anunciar solenemente que estava em marcha uma perigosa insurreição, porque a polícia tinha interceptado uma viatura com umas caixas com pregos para furar pneus. É também o mesmo que foi depois o responsável político pela brutalidade e violência policial sobre manifestantes no 1º Maio do mesmo ano no Porto, que causou a morte de dois trabalhadores e mais de cem feridos.

Mais palavras, para quê?

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Em defesa da dignidade, do trabalho e do Estado social

Edição Público Lisboa
22 Nov 2011

O último ano tem sido marcado por uma catadupa de decisões políticas atentatórias das condições de vida dos cidadãos e dos serviços e apoios sociais arduamente conquistados ao longo da história, criando uma situação que é tão mais gravosa quanto ocorre…leia mais…

Mais de 150 cientistas sociais ligados a instituições académicas de todo o país subscreveram até agora este manifesto de apoio à greve geral de 24 de Novembro, entre os quais se incluem todos os ínvestigadores que já receberam o prestigiado prémio A. Sedas Nunes de Ciências Sociais. Assim partilham e assumem a sua condição de trabalhadores. Dando testemunho de que a universidade e o conhecimento, a vida e a cidadania, a investigação, o trabalho e os movimentos sociais, tudo está e deve estar ligado. Para que seja possível resistir e enfrentar este perigo maior de as nossas vidas serem inteiramente capturadas e determinadas pelos mercados.

Aqui ficam o texto integral do manifesto (ver aqui o texto e a totalidade das assinaturas em pdf), que também subscrevemos, e a versão publicada na edição de hoje do Público, com indicação de alguns dos signatários.

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Não deve ser esquecido o espectáculo da última conferência de imprensa dos funcionários enviados pela troika para fazer a inspecção periódica do cumprimento das suas ordens por parte dos capatazes PSD/CDS-PP que administram o protectorado. Pelo servilismo revelado por alguma comunicação social atenta, veneradora e bem comportada q.b., convenientemente esquecida das perguntas difíceis ou incómodas. Pela crueza da humilhação nacional provocada por burocratas impunes e bem pagos, que discreteiam e opinam sobre a vida de mais de dez milhões de pessoas que cá vivem e não elegeram este trio, o qual não se coibiu todavia  de atirar mais uma acha para a fogueira do empobrecimento geral: o corte das remunerações no sector privado. Pela falta de brio dos governantes, mais preocupados em abanar a cauda do contentamento por terem passado na prova do exame.

Tudo tão excessivo e demasiado evidente que até um representante destacado do capital financeiro, o Presidente do BPI, se sentiu incomodado e recomendou a estes burocratas mais pudor e menos conferências de imprensa. Não, descansem, Fernando Ulrich não virou á esquerda, não lhes recomendou mudança de rumo, só que fossem mais discretos. As coisas fazem-se, mas convém não ofender demasiado o pagode. O qual, apesar dos elogiados brandos costumes (não somos como os gregos, não é?), também se podem irritar…

Fica então aqui uma sugestão para apimentar futuras conferências de imprensa da troika e torná-las mais interessantes e pedagógicas, inspirada numa recente e oportuna notícia do Esquerda.net e também na consulta directa que fizemos ao plano de reformas do FMI disponível na Web (ver aqui ):

Perguntar ao Sr. Paul Thomsen o que pensa do corte dos planos de pensões de reforma para os funcionários do FMI para os equiparar aos planos de austeridade que andam a vender com tanto sucesso à Grécia, a Portugal, e aos que se seguem, na caminhada para a recessão geral. Ou, em alternativa, se está disposto a defender a extensão desses planos de reforma aos trabalhadores portugueses, virando o bico ao prego do que têm pregado.

É que os Planos de Reforma dos funcionários do FMI pagos com as contribuições dos Estados-membros, com o objectivo proclamado de “assegurar um rendimento de substituição” que permita aos seus funcionários “manter um padrão de vida razoável durante a aposentadoria”, prevêem o pagamento de pensões vitalícias “a partir de 50 anos de idade com um mínimo de três anos de serviço”. A idade normal de reforma é aos 62 anos. Como refere  Dean Baker, co-director do Centro de Pesquisa Económica e Política, em Washington, técnicos do FMI podem reformar-se aos 51 anos com uma reforma de seis dígitos, da ordem dos 100 000 USD – cerca de 74 000 euros – anuais (ver aqui).

Mais palavras, para quê? Bem prega Frei Tomás… Mas não se esqueçam da pergunta da próxima vez que eles cá vierem.

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Não sei de quem é a autoria desta adaptação nacional da campanha Unhate da Benetton. Gostava de saber para colocar aqui, por direito próprio, o nome do autor. Mas, na verdade, a campanha Unhate dava para fazer vários fragmentos de “casais desavindos” em Portugal. Umas sugestões: Cavaco Vs Passos? Ou Seguro Vs todo o PS?

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