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Archive for Março, 2012

Já não acompanhava um Congresso presencialmente há algum tempo, estava com uma enorme expectativa. Não que um partido que esteja no poder seja particularmente inovador em termos ideológicos ou de discurso. Mas espera-se que seja criativo, tendo em conta a posição dominante que ocupa, que tenha a capacidade de trazer algo diferente e contrariar os que alimentam a tese de que os Congressos consensuais, de liderança incontestada, são inúteis.

O Congresso do PSD foi um Congresso do passado. As mesmas fórmulas, os mesmos discursos, os mesmos rituais, as mesmas invocações saudosistas de Sá Carneiro. Centenas de militantes inscritos para falarem três minutos, palavras que ninguém ouve. Militantes que viajam de todo o país até Lisboa, para regressarem a casa, às suas concelhias, e dizerem que falaram no Congresso e que apertaram a mão ao líder.

Um Congresso com as mesmas mensagens de sempre. O PSD de Sá Carneiro, o idoso PPD, a social democracia de há quase 40 anos que não – de todo – a da moderna social democracia. Como entender que não houve nenhuma mensagem – nenhuma – virada para os jovens qualificados? Os que saíram do país ou se preparam para sair?

Houve brindes oferecidos aos congressistas e participantes, como nas campanhas eleitorais antes da crise. Mas alguém ainda oferece brindes? E não será ofensivo, em tempos de crise o PSD oferecer brindes? Então, o que temos? Uma pasta cinzenta e laranja do PSD, uma esferográfica cinzenta e preta do PSD, um marcador de livros do PSD, três pin’s do PSD, um crachá do PSD, um bloco de notas do PSD (de capa dura), um livrinho com a proposta de alteração ao programa do PSD, um livro encadernado com o regulamento, as moções e os nomes de todos os delegados e participantes. Tudo nessa dita pastinha que era entregue com a acreditação.

Estamos na era das tecnologias, da inovação, das redes sociais, da força viral da internet. Como querem os partidos chegar aos eleitores com este episódio repetido? Como querem os partidos políticos aproximar-se da geração 2.0 oferecendo-lhes um ZX Spectrum?

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Esta conferência da ATTAC é uma iniciativa oportuna para um debate plural e qualificado de balanço crítico de um ano de protectorado troikista e de reflexão sobre os caminhos da alternativa económica e política.

Ver aqui o programa da conferência.

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Para quem está a fazer um doutoramento em Ciência Política, como é o meu caso, os discursos políticos devem ser sempre analisados à lupa. Análise de conteúdo, palavras-chave, análise de forma, tipo de argumentação, retórica, mensagem directa, mensagem subliminar, etc.

Quando encontro, em Portugal ou no estrangeiro, discursos políticos marcantes não consigo guardá-los só para mim. Quero, por isso, partilhar com quem partilha este interesse comigo, algumas passagens do discurso proferido por Sua Excelência, o Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro e dos Assuntos Parlamentares (SEMAAP, como é conhecido no meio) Miguel Relvas, por ocasião do I Encontro Triângulo Estratégico América Latina-Europa-África. Aconteceu ontem, dia 12 de Março 2012, pelas 10 horas, em Lisboa.

 – “O Atlântico é hoje um centro de reunião em cujas margens se espalha um imenso conjunto de países apostados na prosperidade dos seus povos.” (Relvas, M.; 2012; pp: 3);

– “Queremos aprender com cada um dos países porque para nós o mundo é uma imensa fonte de aprendizagem para todos os que tiverem a disponibilidade e a capacidade de escutar e de observar – numa palavra, de aprender.” (Relvas, M.; 2012; pp: 5);

– “Somos um povo europeu e atlântico. Somos ambas as coisas em simultâneo, sem que uma ponha em causa a outra, sem que uma diminua a outra, sem que uma rivalize com a outra. Pelo contrário, trata-se de uma condição complementar.” (Relvas, M.; 2012; pp. 9);

– “Estamos a viver uma era histórica em que o Atlântico Sul manifesta a todo o mundo que se está a configurar como um imenso espaço de paz, de cooperação e de prosperidade.” (Relvas, M.; 2012; pp. 12).

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Post didático sobre armas de arremesso. Há armas para todos os gostos. Cada um aperta o gatilho que preferir.

 

Revólver (Colt Python)

 

Pistola (Beretta 92FS)

 

Kalashnikov (AK 47)

 

Metralhadora (Browning M2 HB)

 

Roteiros 6 (Aníbal CS 03-2012) 

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Vale a pena ler o lúcido e informado ponto de vista crítico de Demétrio Alves, que foi Presidente da Câmara de Loures e é um especialista de ordenamento do território, sobre esta “reforma” do mapa das freguesias, exigida pela troika e promovida pelo seus vassalos no Governo, como parte do seu programa de austeridade, no blogue Praça do Bocage.

Imposta em nome de uma pretensa racionalidade económica e tecnocrática ultraliberal, reune todas as condições para ser um fiasco e deixar as coisas pior. Porque não assenta num debate prolongado, exigente e participado e surge à pressão, pela mão suspeita, politiqueira e manobrista do ministro Relvas, num tempo de crise profunda que aconselha outras prioridades.

Como assinala Demétrio Alves no seu artigo A Fusão Destrutiva das Freguesias:

” …pode e devem fazer-se reformas dos sistemas político-administrativos. Contudo, existe a firme convicção, fundada no estudo e no conhecimento da situação concreta, de que as reformas político-administrativas coerentes e sérias só se justificam quando ocorrem três condições fundamentais: necessidade comprovada de reforma (através do resultado de trabalhos científicos, do debate e acção política e de comparações/imposições internacionais), existência de tempo e de recursos para promover a reforma mais adequada às circunstâncias e, finalmente, vontade de promover a reforma por uma via democrática no referencial constitucional em vigor. Não se verificando nenhuma das três condições formuladas (salvo a imposição da Troika, que não é coisa pouca), constata-se que o governo quer impor um conjunto de alterações no referencial autárquico desajustado ao caso concreto português.” 

Sendo certo que esta pretensa reforma em nada contribuirá para o equilíbrio das contas públicas que lhe serve de mote, tem à partida todas as condições para correr mal e deixar o mapa administrativo e o poder local em pior estado no final deste processo.

A palavra aos cidadãos, contra o conformismo e a resignação. Não vale tudo. Ou vale. Se olharmos para o lado e deixarmos que a troika e os seus vassalos tudo decidam em nosso nome.

 

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