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Archive for Setembro, 2012

Aqui fica o excelente vídeo do debate realizado há uma semana no âmbito da preparação do Congresso Democrático das Alternativas, sobre o tema “Os desafios da denúncia do memorando”.  Com um painel plural e qualificado integrando Carvalho da Silva e economistas do pensamento crítico – João Ferreira do Amaral,  Castro Caldas, João Rodrigues, Pedro Nuno Santos e Ricardo Cabral -, foi um excelente e muito participado debate, que encheu o Cine-Teatro A Barraca e em que foi demonstrado que existem propostas e alternativas ao programa de austeridade, empobrecimento e dependência.

Alternativas que não são receitas milagreiras, nem de resultado garantido. Contingentes e incertas como o mundo em que vivemos. Mas alternativas, que valorizam as pessoas, o trabalho e o país, e que não os querem submeter a folhas de cálculo e modelos sem vida dentro. Alternativas que vale a pena debater e para elas mobilizar os cidadãos que nas ruas vêm mostrando que estão fartos destes “engenheiros sociais” de opereta que querem tornar dez milhões de portugueses nas cobaias dos seus experimentalismos ultraliberais.

O debate continua no próximo dia 5 de Outubro, na Aula Magna da Universidade de Lisboa. Quem nele quiser participar, basta informar-se e inscrever-se aqui.

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O BCE faz parte da troika dos credores que nos receita a austeridade e o programa de empobrecimento colectivo executados por um governo de zelosos capatazes, incompetentes, mas ainda mais troikistas que os credores. O seu vice-presidente é um senhor que foi secretário-geral do PS e governador do Banco de Portugal. Como prémio, foi para vice-presidente do BCE com a pasta da supervisão bancária, para a qual é recomendado pela brilhante folha de serviços à frente do Banco de Portugal. Onde a sua principal obra foi fechar os olhos aos escândalos da gestão dos bancos, dos monumentais buracos do BPN e do BPP às negociatas entre amigos do BCP, até eles rebentarem na praça pública. E em cujo cargo se destaca pela sólida militância em defesa dos mercados financeiros e dos remédios ultraliberais com que estão a matar uma União Europeia doente. Sacrificando de caminho os povos e os países mais débeis com uma insuportável e desigual austeridade.

Pois é. Soube-se agora que a nova sede do BCE, em construção em Frankfurt, vai custar 1 000 milhões de euros, mais 41% relativamente ao orçamento elaborado para a obra em 2 005, ou seja mais cerca de 350 milhões de euros. As desculpas são as mesmas que por cá foram e são usadas sempre nas parcerias público-privadas e em todas os grandes projectos em que os negócios capturam o Estado e o interesse público: alteração dos preços dos materiais e das actividades, mudanças no projecto, etc. Nada que não conheçamos por cá. E que a troika, de dedo em riste, veio aqui condenar, por sermos uns pecadores e gastadores da Europa do Sul, laxistas, sem rigor nem amor ao trabalho, e portanto merecendo a expiação pela austeridade perpétua. quem o diz não foram perigosos militantes da esquerda radical que acusam. É o próprio BCE que o confessa (aqui) e que o insuspeito Financial Times noticia.

Já sabíamos que a senhora Christine Lagarde, directora do FMI e que publicamente tem defendido que nos carreguem com mais impostos, não paga impostos pelos seus rendimentos do trabalho no FMI, como os demais quadros daquela instituição (ver aqui). Já sabíamos que as receitas de Durão Barroso e dos seus amigos na UE sobre a desvalorização dos salários e a destruição do Estado Social não se aplicavam a si próprios, aos deputados do PE e à burocracia europeia. Também já sabíamos que o rigor e a seriedade pregados aos devedores não se aplicam ao capital financeiro, como demonstra o envolvimento do Deutsche Bank e dos outros grandes bancos europeus no recente escândalo da manipulação da taxa Libor na City londrina para obter benefícios especulativos de muitos milhares de milhões de euros à custa sempre dos mesmos. Estando ainda por esclarecer manipulações semelhantes na taxa Euribor, que nos toca a todos.

Agora, ficamos a perceber que a independência do BCE serve para isto em tempos de austeridade: gastar mil milhões de euros numa sede e alegremente aceitar um disparo de custos de “apenas” 40%. Que certamente será explicado pelos técnicos de serviço nos relatórios do costume. Os grupos económicos e financeiros que por cá se alimentam impunemente das rendas, das PPP e da captura do poder político pelos negócios, ainda têm muito que aprender.

Ou acordamos todos e vamos à raiz do mal que nos oprime – um sistema financeiro com o freio nos dentes – ou não vamos lá.

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38 anos depois da Revolução de Abril, a resposta dos actuais governantes e capatazes da troika é o empobrecimento, a desigualdade,  o desmantelamento do Estado Social, o retrocesso nas relações e direitos do trabalho  e o esvaziamento da democracia. A receita para a crise é desvalorizar os salários e degradar o trabalho. Tudo em nome da competitividade e do respeitinho pelos mercados financeiros. Tudo convenientemente concebido em folhas excel e em modelos econométricos ditos estocásticos. As pessoas? Que se lixem, se não compreendem nem aceitam as ficções destes candidatos a novos Procustos ou engenheiros sociais do fundamentalismo ultraliberal.

É assim a política feita por um governo às ordens dos credores. O qual, na ânsia de lhes lamber as botas para ser o bom aluno, não hesita em ir mais além. Como esta tentativa de roubar ao trabalho para entregar ao capital  através da TSU. Destruindo de caminho o que resta do contrato social em que se alicerça a segurança social de natureza previdencial. Rouba-se o presente e o futuro à maioria dos portugueses para assegurar o futuro da economia de casino e dos seus mandantes.

A Convocatória para um Congresso Democrático das Alternativas é uma iniciativa já subscrita por milhares de cidadãos que abrangem todo o arco político das esquerdas, partidariamente organizadas ou não. Unidos pela determinação comum de construir pontes que respeitem as diferenças, mas recusando ficar prisioneiros das divergências e dos conflitos passados. Buscando a construção de denominadores comuns que provem a existência de alternativas políticas a este caminho ruinoso do empobrecimento e da austeridade em cima de austeridade que nos conduz à mais profunda depressão colectiva.

A inevitabilidade desta receita que nos vendem como único caminho para evitar a bancarrota alimenta-se não apenas da falsa narrativa da culpa e da expiação, mas do medo nascido da falta de crença nas alternativas.

Depois da espantosa manifestação cidadã dos portugueses, da esquerda à direita, rejeitando o programa de austeridade do governo e o roubo da TSU, o Congresso Democrático das Alternativas, no próximo dia 5 de Outubro é a proposta de um espaço plural e inclusivo, de convergência e debate, sobre as políticas alternativas a esta governação ultratroikista. Não contra os partidos ou as organizações sociais. Mas assumindo a necessidade de juntar todos os cidadãos com e sem partido que, nas várias esquerdas, acreditam na necessidade imperativa do diálogo político e da convergência, no respeito pelas bandeiras de cada um.

É exigente este projecto. Não tem sucesso garantido. É um caminho de esperança numa estrada cheia de pedras. Onde a participação de cada um exige um esforço sério para nos libertarmos todos de azedumes, desconfianças, recriminações e vícios passados e sermos capazes de escutar o que os outros têm para dizer e propor. Mas a diferença da situação política actual, comparativamente com as últimas décadas marcadas pelas divisões das esquerdas e pelas coligações de interesses à direita, é que vivemos um estado de emergência económico, social e político. E um estado de emergência exige respostas novas das esquerdas. mais convergência e mais iniciativa cidadã. Vamos a isso! Não desistimos do nosso País!

Todos podem subscrever a convocatória do Congresso, participar e apoiar esta iniciativa (ver aqui como).

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Curioso é que estava preparada uma sala para uma declaração conjunta PSD-CDS no final da reunião dos dois partidos. Aqui está a prova fotográfica.

Curioso é que estavam as bandeirinhas hasteadas, de PSD e CDS, uma ao lado da outra por trás dos microfones de pé.

Curioso é que o plano ficaria bem nas televisões.

Curioso é que a reunião terminou pelas 20.45H, ainda a tempo dos telejornais.

Curioso é que chegaram a ser feitos testes de som.

Curioso é que só houve um comunicado escrito.

Curioso é que ninguém falou à saída.

 

 

* Fotografia de Ana Catarina Santos

(Sala do Hotel Tivoli, junto à sala onde decorria a reunião que criou o CCC: Conselho Coordenador da Coligação. 20 Setembro 2012)

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A urgência de agir

Praça José Fontana, Lisboa, 15 Setembro, 17 horas.

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Mais de dois meses passados, voltámos aqui. O sentimento de que as palavras estão gastas alimentou a ausência. Ausência no blogue, não na acção colectiva. A convicção de que não têm substituto e que toda a comunicação e partilha é precisa, o regresso. A infâmia dos oligarcas que querem converter o nosso sangue e as nossas vidas  na moeda corrente dos mercados e nos roubam o futuro decente a que temos direito como humanos, o imperativo ético.  E a urgência de converter em acção colectiva a indignação e a revolta dos muitos que ainda não se refugiaram na mera lógica de sobrevivência individual.

Aqui fica a memória revisitada de um cidadão inconformado e insubmisso que não desistiu até ao fim. José Saramago. Que responde melhor que mil discursos à desgraçada comunicação de ontem do mais servil capataz dos mercados e dos poderosos que o meu país já conheceu. Ofensa vergonhosa de quem é forte com os fracos e mero criado dos fortes. A resposta que é preciso exige o estado de revolta dos humilhados e ofendidos. E a lucidez de não desistir das alternativas.

Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.

José Saramago – Cadernos de Lanzarote – Diário III – pag. 148

 

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Amigando

Não é fácil fazermos amigos.

Os nossos amigos são feitos nos tempos da escola, quando não há preconceitos nem segundas intenções. São feitos no bairro, quando corremos, brincamos e começamos a descobrir o mundo juntos. Os nossos amigos são feitos na faculdade, quando apanhamos os primeiros embates da vida.

Até aí não conhecemos inimigos propriamente ditos. Há gente de quem não gostamos, é certo, mas não há inimigos. Esses só aparecem na nossa vida mais tarde, quando começamos a trabalhar. Aí conhecemos a competição, a inveja, a maldade, enfim, o mundo real.

O trabalho raramente nos traz amigos. Raramente. Não é fácil mas às vezes traz.

Mas a culpa é toda nossa.

Não estamos disponíveis para fazer novos amigos. Somos desconfiados das intenções dos outros e o pretexto de não termos tempo é sempre uma boa desculpa.

Se um homem quer ser amigo de uma mulher, desconfiamos das suas intenções: “sei bem o que ele quer”. Se uma mulher quer aproximar-se de um homem, “olha, olha…” (olhos arregalados e sorriso malandro). Se uma mulher quer ser amiga de outra mulher, a desconfiança pelo menos quintuplica. “Olha-me esta! O que é que esta quer?”. Desconfiança e maldade que não tínhamos nos tempos da escola, do bairro, da faculdade. Porque estávamos disponíveis para a amizade.

Construímos redes de contactos virtuais, construímos uma imagem que queremos projectar, construímos networking, construímos ideias, construímos negócios, estudamos teambuilding para as empresas mas esquecemos que também temos que construir a amizade. Disponibilidade para a amizade, vontade e acção.

Tenho uma amiga recente. Não custou nada. E estou tão feliz por isso.

 

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