Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Fevereiro, 2013

 

O Natal já passou e o Cirque du Soleil, que costuma brindar os portugueses com espectáculos natalícios, já lá vai. Mas as acrobacias voltaram a Lisboa lá para os lados de Belém. Aníbal fez “A” acrobacia-mor. Nenhum elenco com mais de cinquenta artistas e músicos de 17 países diferentes conseguia o que Aníbal conseguiu.

 

Aníbal ia fazer o maior número de Synchro Trapeze de sempre, mas nem por isso estava nervoso naquele fim-de-tarde de sexta-feira. Agarrou-se ao trapézio, tomou balanço e, com uma roupa extravagante que lhe aumentava confiança, saltou de um baloiço para o outro, qual trapezista oriental.

 

Voando entre as mãos estendidas dos outros que o miravam nos baloiços de corda, Cavaco enrolou-se numa múltipla pirueta a 18 metros do chão, número muito arricado mesmo para um saltador experiente. Seguiu-se um encarpado de pernas flectidas sincronizado ao ritmo da música que lhe dá alento e voou em espectaculares cambalhotas, piruetas e flic-flacs, até aterrar numa barra estreita num equilíbrio que só um grande artista consegue alcançar.

 

Assim que os pés do Mestre de Synchro Trapeze pousaram na barra, pés e mãos em “V”, Aníbal culmina a sua piruetada mágica sacando de um cartaz que rapidamente ergueu em cima da cabeça coberta de brilhantina. Num néon luminoso lia-se a seguinte frase: «é “da” em vez de “de”».

 

O público hesitou, não compreendeu bem o que quis transmitir. Mas logo uma parte da plateia começou a gritar “muito bem, muito bem”! Outros aplaudiram. Alguns perguntaram “mas de onde é que ele sacou aquilo?”

 

Para estupefacção até dos próprios treinadores e família, Aníbal tinha surpreendido com o número daquela tarde.

 

No final do espectáculo, o Synchro Trapeze Master não quis dar entrevistas nem sequer autógrafos aos seus fãs.

 

Escreveu, nessa noite, um curto post no Facebook. Apenas a frase: “I’m DA Master! Lol!”.

 

Imagem

 

Anúncios

Read Full Post »

Os omnipresentes mercados tremem. Os juros da dívida dos países periféricos sobem. As bolsas caem. As lideranças políticas e as instituições europeias não percebem a ingratidão dos italianos que não votaram segundo os seus conselhos (ver os resultados eleitorais aqui).

Não se faz isto ao Monti, apóstolo da austeridade que se sacrificou pela pátria. E o centro-esquerda, que o apoiou na governação e se comprometera com a austeridade, até prometia portar-se mais ou menos bem, não sair da linha e afastar um incómodo Berlusconi que já era uma carta gasta.

Pois é. Mas um povo farto de políticas de austeridade e revoltado com uma representação e um sistema político desacreditados resolveu fazer outras escolhas. E não se diga que foi a abstenção que ganhou. Não foi assim em Itália. Votaram mais de 35 milhões de cidadãos em quase 47 milhões de eleitores registados (75%). Uma participação bem superior à que se vem praticando por cá: 58% nas últimas eleições legislativas.

O Partido Democrático e a sua coligação de centro-esquerda Itália.Bem Comum  tiveram 29,5% dos votos e uma queda de 8 pontos percentuais relativamente às anteriores eleições. A segunda força mais votada, a coligação da direita de Berlusconi (o Povo da Liberdade) renasceu sustentada pelo seu monopólio mediático e colheu 29,1% dos votos, embora com uma  queda de 17,7 pontos percentuais na votação. Beppe Grillo e o seu Movimento 5 Estrelas, criado em 2009, colheu um quarto dos votos (8,7 milhões de votantes e 25,5% dos votos) e tornou-se o primeiro partido italiano individualmente considerado em expressão eleitoral – o PD conseguiu isoladamente apenas 25,4% e o partido de Berlusconi sozinho teve 21,6%. Monti e a sua coligação de centro-direita ficaram em quarto lugar, apenas com 10,5% dos votos.

E a esquerda italiana, como está e por onde andou nestas eleições?

Esquerda Ecologia e Liberdade, liderada por Nichi Vendola, que se associou à coligação de centro-esquerda do PD e por isso elegeu 37 deputados, colheu pouco mais de um milhão de votos (3,2%). A Revolução Cidadã, constituída apenas em Dezembro unindo a Itália dos Valores, o Partido da Refundação Comunista, o Partido dos Comunistas Italianos, a Federação dos Verdes e o Movimento Laranja, liderada por um juiz prestigiado (Antonio Ingroia), não atingiu o limiar de 4% imposto pela lei eleitoral para eleger deputados e ficou-se pelos 765 000 votos (2,25%). Não foi ainda desta vez que os comunistas voltaram ao parlamento italiano e que recuperaram  as forças perdidas para se afirmarem como parte de uma alternativa credível à esquerda.

Ou seja: está à vista que os italianos não fizeram a escolha clara de uma alternativa política. Mas deram um sinal expressivo nestas eleições da rejeição popular crescente das elites políticas que conduziram o país à degradação do sistema político, à corrupção, ao empobrecimento e à desigualdades actuais. Com doses sucessivas de austeridade e destruição de direitos sociais. Sempre protegendo os privilégios e a fortuna dos mesmos.

Não se reduza porém o Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo a uma episódica manifestação de populismo. Exprime com os seus quase nove milhões de votantes uma vontade de mudança e de ruptura com o caminho que tem sido seguido. Com expressões anti-sindicais, anti-políticas e anti-partidos. Mais eficaz na aglutinação do protesto do que na afirmação de um programa alternativo consistente e credível. Todavia portador de propostas e aspirações populares para levar a sério (ver o seu programa aqui) como a defesa da água como bem público, da escola pública, de um serviço nacional de saúde gratuito e universal, de medidas reais de democracia participativa, de regeneração do sistema político.

O movimento político de Beppe Grillo é um sério aviso às esquerdas e aos sindicatos. Polariza o voto de  protesto contra o fracasso de um Estado capturado pela corrupção e pelos grandes interesses. Joga também o jogo perigoso (por cá também praticado pela direita) de querer substituir as oposições e conflitos de classe e a exploração do trabalho pela divisão em dois blocos sociais – os que estariam instalados nos seus direitos sociais, nos sindicatos e partidos, e os que vivem uma existência precária – querendo assumir-se como representantes destes últimos contra os primeiros. Recusando afirmar-se de direita ou de esquerda, alimenta-se da incapacidade das esquerdas em Itália em produzirem alternativas consistentes, renovadas, credíveis e mobilizadoras ao pântano populista de Berlusconi e ao comando neoliberal da União Europeia.

Tem que ser assim por cá? Não há outro caminho se não este,  além da alternância na austeridade, com ou sem “consciência social”? Houve na Grécia, onde o Syriza conseguiu polarizar  e fazer convergir a maioria das esquerdas, conquistar apoio social e tornar-se a segunda maior força política eleitoral com um programa político alternativo de governação contra a austeridade. Sem que o caminho português tenha que ser uma cópia da estrada grega, também pode haver respostas e futuro do lado das esquerdas por cá.

É mais que tempo, para isso, que se abandonem torres de marfim instaladas e se assuma que os desafios desta crise política, económica e social são maiores do que as forças de cada um e que enfrentá-los exige juntar forças e assumir encargos comuns, não apenas na oposição mas na capacidade assumida de governação. Que é imperativo e urgente a vontade de convergência numa resposta política e programática conjunta que afirme a credibilidade de uma alternativa de governação a esta receita austeritária e à tragédia de um país convertido em protectorado em nome do garrote da dívida. Que iniciativas como o Congresso Democrático das Alternativas, a Iniciativa par a uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública e outros projectos cidadãos são para levar a sério na vontade de convergência e de construção de políticas alternativas que exprimem. Que já basta de gerir as diferenças políticas à esquerda como se estivéssemos num estado de normal vida política democrática e não num estado de excepção que nunca enfrentámos em 38 anos de democracia. Nem em Portugal nem na Europa.

The times they are a-changin’como canta Bob Dylan. Todos somos responsáveis por procurar as respostas que impeçam o retrocesso civilizacional em marcha em Portugal e na Europa. Como ele também canta, the answer  my friend is blowin’ in the wind

Sem abdicar de convicções e escolhas claras, procuremos então as respostas novas e as alternativas no vento. Nos outros. Na rua. Juntando forças, vontades e ideias. Sem muros. Para que não vença a estratégia do medo que atira cada um para o seu buraco de sobrevivência e à maioria para fora da política e da democracia. E no dia 2 Março lá nos encontraremos para dar força à esperança.

Read Full Post »


Solta a GrândolaComo diz José Vítor Malheiros na sua habitual crónica no Público de hoje – A rua é a única saída:

Perante um PSD e um CDS que destroçam o país de alfinete ao peito (desconfie-se sempre do patriotismo de lapela) e de um PS que treme de medo perante a Grândola, que esquece as liberdades que já defendeu, que faz coro com os colaboracionistas da troika eprotege os políticos das negociatas, perante uma esquerda que hesita no seu dever de unidade, não há outra coisa a fazer senão sair à rua e cantar a Grândola a plenos pulmões. A rua é a única saída que resta. Que ninguém diga que nos calámos. 

A esperança também mora na rua. Tem encontro marcado em 2 Março.

E que por um momento as ruas e praças do país que querem privatizar sejam zonas livres dos mercados financeiros que aspiram a capturar as nossas vidas.

Read Full Post »

«O factor “experiência política” tem vindo a ser cada vez mais valorizado na composição do Tribunal Constitucional. O ponto de viragem dá-se em 1998, quando se regista uma progressiva presença de juízes com currículo político e a concomitante diminuição de membros politicamente inexperientes. Os juízes com experiência política estão na sua máxima força na composição actual, que exercerá funções até 2016. Volvidos vinte e cinco anos, a experiência política é hoje um factor mais valorizado do que nunca na história do Tribunal Constitucional.»

Excerto do livro “Papel Político do Tribunal Constitucional: contributos para o estudo do TC, seu papel político e politização do comportamento judicial em Portugal”, de Ana Catarina Santos. Prefácio de António de Araújo. Coimbra Editora.

tc

Read Full Post »

«É sempre uma matéria sensível o estabelecimento de relações entre juízes e partidos políticos ou, neste caso, em que é que essa relação se reflecte nas votações. Cada juiz tem uma sensibilidade ou proximidade política e/ou partidária inerente à sua condição de cidadão. Há quem prefira a designação “diferentes sensibilidades constitucionais” (Cardoso da Costa, 1993), mas não deixam de ter na base esta questão relacionada com os partidos políticos.

Nuns casos essa ligação é mais visível que noutros, já que alguns juízes eram, por exemplo, deputados representando um partido político. O facto de 77% dos juízes do Tribunal Constitucional serem designados por partidos políticos e só depois eleitos na Assembleia da República, permite traçar essa proximidade entre os conselheiros e os partidos.»

Excerto do livro “Papel Político do Tribunal Constitucional”, de Ana Catarina Santos.

TC

 

 

 

 

“Papel Político do Tribunal Constitucional: contributos para o estudo do TC, seu papel político e politização do comportamento judicial em Portugal”. Prefácio de António de Araújo. Coimbra Editora.

 

 

 

Read Full Post »

Eis que o Presidente da República deu a ajuda que faltava. Afinal, era um erro de texto. O “de” ou o “da” é que vão determinar o futuro político dos seus amigos Meneses, Seara & Cª.

Assim se vai adulterando uma lei que supostamente visava promover a renovação democrática dos mandatos no exercício do poder local e contrariar a perpetuidade das redes clientelares de interesses. Com o silêncio conivente e incomodado do PS e CDS/PP e com o entusiasmo activo do principal beneficiário de tamanha confusão – o PSD. Que continuam (até quando?) a fugir como o diabo da cruz do debate e da resolução parlamentar desta confusão. Porque teriam que assumir com clareza perante o país as suas escolhas políticas. O que em ano de eleições autárquicas perturba os arranjos de interesses, as chefias e os caciquismos políticos locais. Como se viu também no modo como foi arrumado o recente diferendo interno do PS. Continuando na mesma. Em forma de assim.

Afinal, não constituem este Presidente da República, o CDS/PP de Portas e este PS o seguro de vida deste governo dos credores, bom aluno da troika e dos mercados financeiros? Não votaram todos a Lei de Enquadramento Orçamental que legitima as políticas de austeridade responsáveis por esta tragédia e impostas por uma União Europeia comandada pelo cifrão?

Cantemos então a Grândola! Porque a esperança mora deste lado.


Parlamento não sabe como resolver o erro detectado na lei de limitação de mandatos

Há um erro entre a versão da lei de limitação de mandatos, aprovada pela Assembleia da República, em 2005, e o diploma publicado em Diário da República e que foi impresso pela Casa da Moeda (INCM). O erro, detectado pelos serviços da Presidência da…leia mais…

Read Full Post »

Serviço público do Elevador da Bica: Clipping de notícias do dia. 

Pensei que estava a ler o guião de um filme de terror. Mas não. São apenas as principais notícias do dia (Lusa). 

 

“Governo admite rectificativo para incluir novas medidas de austeridade”

“Recessão mais grave deve-se a crise em todo o espaço europeu – Passos Coelho”

“Governo justifica agravamento das projecções com conjuntura europeia – Sec Estado Finanças Manuel Rodrigues”

“Troika poderá vir a actualizar as projecções para Portugal – Oli Rehn”

“Com este resultado a recessão foi de 3,2% do PIB, mais grave que os 3% estimados na altura da sexta revisão do programa. – Oli Rehn”

“Oli Rehn diz que é prematuro falar de mais um ano para Portugal corrigir o défice”

“UE/Previsões: Bruxelas volta a adiar retoma da economia da zona euro”

“A Comissão também reviu em baixa as previsões para a taxa de desemprego, que prosseguirá este ano a sua escalada, atingindo os 12,2% na zona euro (em novembro Bruxelas estimara uma taxa de 11,8)”

“UE/Previsões: Taxa de Desemprego em Portugal deve chegar aos 17,3% em 2013”

“UE/Previsões: Bruxelas prevê recessão em Portugal de 1,9% em 2013 e ameaça com nova revisão já em Março”

 

Mas o Governo diz que “começamos a ter resultados” e “os objectivos definidos para 2013 foram alcançados” – sic Miguel Relvas (ouvir aqui a peça com as declarações de Miguel Relvas). 

Read Full Post »

Older Posts »