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Archive for Maio, 2014

Sebastião Salgado - TrabalhoHoje, 1º Maio, em Istambul, a polícia de choque, com canhões de água e gás lacrimogéneo, reprimiu milhares de trabalhadores turcos que, ao apelo das suas centrais sindicais, quiseram realizar a sua manifestação do 1º Maio na emblemática Praça Taksim, que tem sido o palco principal de grandes movimentos populares contra a governação autoritária do governo islamista de Erdogan (ver notícia aqui).  Este governo tinha proibido os sindicatos de utilizarem a Praça Taksim no 1º Maio, mas estes consideraram essa decisão ilegítima e decidiram corajosamente enfrentar a proibição.

Vale a pena lembrar que já em 1976 centenas de milhar de trabalhadores turcos conseguiram celebrar o 1º Maio na Praça Taksim, mas que no ano seguinte, quando meio milhão aí voltou naquela data, foi alvo de uma violentíssima repressão, que causou 37 mortos. Ninguém foi julgado por tamanho crime e durante décadas o governo turco proibiu a celebração do 1º Maio nesta praça. Sempre que ali se realizaram manifestações, houve repressão. Como também sucedeu o ano passado, com muitos feridos.
Com a manifestação deste ano, as centrais sindicais DISK e KESK e as organizações dos médicos e engenheiros pretendiam também homenagear os mártires do 1º Maio de 1977 na Praça Taksim e afirmar direitos democráticos básicos.

A resposta brutal do AKP de Erdogan e a história recente da celebração do 1º Maio na Turquia lembra-nos mais uma vez que os direitos laborais, sociais e políticos conquistados podem ser retirados. Que é preciso uma forte unidade na acção dos trabalhadores e uma forte incorporação e reconhecimento social desses direitos numa cidadania activa e alargada. Que a recuperação dos direitos perdidos é um processo doloroso e muitas vezes prolongado. E que sem uma passagem de testemunho eficaz desses direitos para as gerações seguintes, a sua perenidade está sempre comprometida.

Essa lição, em circunstâncias diferentes, estamos também a aprendê-la por cá. Felizmente com o direito conquistado, exercido e mantido de na rua celebrarmos o 1º Maio.

 

 

 

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