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Archive for the ‘Relações Internacionais’ Category

Claro que celebramos a queda de uma ditadura, aliás apoiada e estimada pelos mesmos Estados (incluindo o português) que agora saúdam a sua queda. Petróleo, a quanto obrigas…

Todavia isso não nos deve dispensar de  escavar para além da superfície em que os média celebram a pretensa vitória da democracia e da liberdade, silenciando as contradições e os interesses que se movem por detrás da intervenção militar conduzida pela França e pelo Reino Unido na Líbia, com cobertura da ONU e apoio norte-americano, e que foi decisiva para abrir caminho ao avanço das forças rebeldes sobre Tripoli.

Lembremos: a intervenção militar aérea franco-britânica começou por ser definida, no mandato aprovado pela ONU, como sendo para criação de uma zona de exclusão aérea que evitasse um massacre da população de Bengazi pelas tropas de Khadafi. Rapidamente evoluiu, exorbitando do mandato político, para uma intervenção militar continuada tomando partido por um dos lados na guerra civil. Depois, para um bombardeamento aéreo permanente sobre Tripoli, sob o pretexto de defender as populações (!) e para a tentativa oficialmente assumida de assassinar Khadafi, família e outros apoiantes. Agora, já se fala na necessidade de estabelecer uma força de intervenção militar para apoiar a transição política.

Como também recorda Simon Jenkins na sua crónica no Guardian sobre este assunto, também as desastrosas intervenções militares no Iraque e no Afeganistão começaram, a primeira, por ter como objectivo a busca e destruição das famigeradas armas de destruição massiva que não existiam e, no segundo caso, para destruir as bases da Al-Quaeda. Viu-se, em ambos os casos, no que deu, e como estamos longe dos cantos de sereia iniciais.

De facto, as revoluções iniciadas na Tunísia e no Egipto tiveram como característica genuína e distintiva terem sido conduzidas pelos respectivos povos e, depois, terem sido reconhecidas pela comunidade política internacional, o que conferiu legitimidade reforçada aos seus actores políticos e sociais, num processo que continua e cujo resultado é ainda marcado pela incerteza. Na Síria, é o povo que se levanta e sofre contra o regime cruel e despótico de Assad, enquanto na ONU só recentemente o Conselho de Segurança conseguiu acordar uma resolução moderada e recuada na condenação daquele regime.

Como lucidamente sublinha Jenkins, quanto mais a libertação de uma ditadura depender de meios externos ao próprio povo, menos robusta ela será. Aplaudir a libertação de um povo oprimido não tem que significar o acordo com todos os meios para a realizar, incluindo a agressão militar externa. Que excedeu em muito a justificação inicialmente proclamada de proteger populações indefesas. O novo regime líbio nasce assim fragilizado pelo excesso da intervenção militar externa e com problemas adicionais de legitimidade e de consolidação para resolver.

A Líbia e o povo líbio carecem certamente do apoio da ONU e da comunidade política internacional. Para que as feridas da guerra civil, as divisões internas e a ausência de organizações sociais e políticas consolidadas não abram caminho à destruição das aspirações populares de liberdade e democracia e a mais um Estado falhado, ou a um mero protectorado governado pelos grandes interesses do petróleo. Mas apoio humanitário, político, diplomático e em meios para a reconstrução do país e para a construção de um Estado democrático e viável, cujo caminho seja exclusivamente determinado pelos próprios líbios e por um processo político exigente de reconciliação interna. Não certamente de intervenção militar que, a pretexto de solidariedade, de facto acabe por constituir mais um protectorado dos grandes interesses do petróleo. Oxalá os líbios empenhados no combate pela democracia no seu país tenham a lucidez e a força necessários para a construção e legitimação, difícil e demorada, de um Estado e de uma sociedade democráticos.

Quanto à oportuna reflexão de Simon Jenkins publicada pelo Guardian, pode ser acedida aqui.

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O dinheiro nunca dorme

Wall Street respondeu com a redução em 5,5% do valor em bolsa das acções transaccionadas da Google à divulgação por esta empresa dos seus resultados positivos no primeiro trimestre do ano, aos seus projectos de investir na contratação de mais 6 500 trabalhadores e ao seu anúncio de optar por uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, (ver aqui a notícia do New York Times, e também aqui o comentário do Jornal de Negócios de hoje).

Ou seja, os  mercados financeiros “racionais”, essa dita “mão invisível” que regula sempre bem o capitalismo e que é sempre o melhor dos mundos possíveis (na versão panglossiana dos seus propagandistas e da minoria dos seus beneficiários directos), acharam insuficiente o crescimento dos resultados da Google (“apenas” 27%) e tremeram de medo face ao anúncio do seu principal responsável, Larry Page, de que a Google, em vez de se orientar para o curto prazo e para o ganho imediato, iria apostar no desenvolvimento de longo prazo e iria aumentar o emprego.

Sobre isto, mais palavras para quê?

Mercados racionais, isto? Em que as acções sobem quando são anunciados planos de despedimentos e descem quando é anunciada a criação de postos de trabalho? Em que contam os lucros especulativos de curto prazo para contentar os predadores insaciáveis e não os planos sustentáveis e estratégicos de desenvolvimento? Mas não foi assim que esta crise foi preparada e começou? É assim que querem sair dela?

Entretanto, a reunião dos ministros das Finanças do principal directório não eleito dos poderosos do planeta, o G20, terminou a sua reunião em Washington com mais um fiasco em matéria de conclusões e medidas para a regulação e o controlo do sistema financeiro mundial.

Como vão longe os tempos em que os governantes desses países, para conter o choque do protesto social e sob o efeito do impacto da crise financeira inesperada, prometiam mundos e fundos para pôr na ordem bancos, fundos de investimento e agências de rating.

Agora, nem uma palavra nas conclusões sobre o controlo político e a regulação  de um sistema financeiro que continua voltado para a especulação e os resultados de curto prazo e remunerando escandalosamente os seus gestores  e accionistas nessa base. Sobre a taxação das transacções financeiras. Sobre o controlo dos paraísos fiscais. Sobre a especulação crescente no mercado mundial de produtos alimentares e a sua captura pelos especuladores através do mercado secundário dos derivados.

Claro que também o desemprego, a pobreza, as desigualdades, estiveram ausentes desta reunião dos poderosos. Aquilo que os preocupou e consta das suas conclusões foi a aprovação de medidas e critérios para julgar e punir os países e os povos que se portem mal e apresentem desequilíbrios excessivos no défice e na dívida. Sendo os Estados Unidos da América o maior devedor do planeta, está-se mesmo a ver que, também nesta matéria, há uns que “são mais iguais do que outros”. E que o G20 continuará a ser fraco com os fortes e forte com os fracos, como a Grécia, a Irlanda ou Portugal. Que eram todos “diferentes” uns dos outros, lembram-se (como agora a vizinha Espanha)?

Sócrates e Passos Coelho, a quem o FMI, a Comissão Europeia, Merkel & Sarkozy reservam o papel de capatazes do protectorado, associados ou não, têm bons mestres (e dominadores). O papel que lhes reservam é que não é famoso nem recomendável…

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– Digame?
– Istoi? Rosé Luiz?
– Si?
– Fala o Rosé, die Lisbioa. Coimio istiás?
– Bien, hombre. Qué pasa?
– Olhia, estiavia aqui a vier ionde é que niós puediamos cortiare un pouquito miais nas diespiesas. Y niós aqui, viamos cortiari nios inquiéritios del INE. Passiamos a fiazer tiudo por telefione.
– A si? Las estatisticas?!
– Si, si, fica miutio más barato. Más biaratio, si me entiendies.
– Anda, que bien. No me habia ocorrido.
– Niós comeciámos con as estiatísticas do desiempriego. Atié dá jeito. Diá jeitio, si me compriendies (risos).
– Muy bien, Rosé. Gracias. Seguiré el ejemplo en Los Censos nacionales.
– Viés, quien te diá boias ideias, é aqui o “hiermano” piortuguies. Quien é amiguio, quien ié?

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Apelo no Washington Times "Assassinate Assange" ou a recuperação reaccionário do imaginário dos "western"

À medida que alguma imprensa internacional vai fazendo o seu trabalho de análise aos mais de 251 000 documentos disponibilizados pelo Wikileaks sobre as mensagens classificadas, confidenciais ou secretas, relativas à política e às relações internacionais dos EUA, vai-se tornando mais patente a duplicidade e a hipocrisia dos governantes da grande potência imperial e de outros países,  na contradição factual evidenciada entre os seus discursos para consumo público e a realidade do que pensam e fazem. Porque não é apenas a crueza e a dureza da política externa norte-americana que é revelada e questionada, mas também, por exemplo, a duplicidade hipócrita das ditaduras árabes suas aliadas no Médio Oriente ou a relação entre a máfia e a governação de Putin na pseudo-democracia russa.

A reacção dos poderosos a estas revelações é sintomática de que a democracia política e a liberdade de expressão e informação param na fronteira dos seus interesses e têm um mero valor instrumental nas democracias liberais cada vez mais corroídas por dentro pelo capitalismo desenvolvido de que seriam a forma contemporânea. As ameaças e perseguições ao Wikileaks e ao seu responsável sobem de tom e são agora legitimadas por uma vaga de analistas, comentadores e actores políticos, desde os  que criticam o Wikileaks por, com os seus actos, pôr em causa a “transparência” e a “decência” nas relações internacionais, aos que não hesitam em apelar à perseguição, ao julgamento por espionagem e ao assassinato de Julian Assange e da equipa do Wikileaks.

Comecemos por lembrar estes últimos, que são ilustração chocante do absoluto naufrágio moral e político dos mais assanhados defensores do establishment neoliberal e ultraconservador, e do modo como têm uma visão despudoradamente instrumental dos direitos humanos e da liberdade.

O que é mais expressivo na perseguição internacional em que os poderosos do mundo se empenham contra o Wikileaks e a equipa responsável, é que já não lhes basta desactivar o mensageiro, como  tentaram nos EUA, expulsando-a dos servidores com a prestimosa colaboração da Amazon, ou na China (les bons esprits se rencontrent…), onde também bloquearam e censuraram o acesso ao Wikileaks (ver aqui). Querem liquidá-los fisicamente.

É o que afirmam abertamente, entre outros, um conhecido comentador político ultra-conservador norte-americano, Jeffrey Kuhner,  na sua coluna no Washington Times (ver aqui),  proclamando “Assassinate Assange!”; o ex-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos e comentador da Fox News, Mike Huckabee (ver aqui), Thomas Flanagan, assessor do primeiro ministro canadiano (ver aqui); o apresentador da Fox, William O’Reilly, também comentador da Fox News (ver aqui) e activistas da extrema-direita populista do Tea Party. A que se juntam a fatwa – porque a intolerância fundamentalista não existe apenas no mundo muçulmano –  lançada pelo senador “democrata”  conservador  Joe Liberman, apelando à perseguição de Assange, e a  inevitável Sarah Palin (ver aqui) que, aproveitando para responsabilizar Obama, exigiu que Assange fosse “caçado” e o equiparou à Al-Qaeda.

A histeria do império contra a equipa da Wikileaks atinge o ponto de se continuarem a imaginar donos do mundo e estarem a debater a possibilidade de acusarem de espionagem o australiano Assange e os seus colegas de equipa, de pretenderem julgá-los nos EUA e de acordo com as leis norte-americanas, apesar de estarem fora da jurisdição norte-americana. São estes os mesmos que apoiaram e conseguiram que os cidadãos norte-americanos não fossem abrangidos pelo Tribunal Penal Internacional, que serve para julgar sérvios mas não pode julgar os  filhos do Tio Sam que sejam culpados de crimes contra a humanidade. Uma conveniente excepção protectora dos executantes do seu terrorismo de Estado. Ou, dito de outro modo, sempre dois pesos e duas medidas.  

E agora, vamos ver o comentário e a argumentação de alguns analistas de serviço da nossa praça, que acham que o Wikileaks é que põe em causa a transparência ou a decência nas relações internacionais:

 

– Jorge Almeida Fernandes, em artigo no Público de ontem, proclamava em título que a “Wikileaks mata a transparência“, usando uma expressão de um jornalista norte-americano, e invoca em seu apoio outras opiniões publicadas concordantes com a teses de que a transparência do Estado implica uma reserva de segredo, que as sociedades não sobrevivem sem Estado e que a “ditadura” da transparência faz desmoronar o Estado.

– José Cutileiro, ex-embaixador e comentador do Expresso, fala na sua habitual coluna desta semana na “indecência” de serem revelados arquivos secretos relativos ao presente, de como isso põe em causa a diplomacia necessária na relação entre Estados, defende a tese idílica de que as democracias (de que dá o exemplo dos EUA…) dispõem de mecanismos que permitem aos povos saber “o que é feito em seu nome” e propõe a tese de que “a transparência não é uma virtude, é um estratagema de comunicação“. 

“É a política, estúpidos!”

 

Desta vez, apesar de em campos opostos de pensamento, estamos de acordo pelo menos com uma tese expressa por Pacheco Pereira no seu artigo de ontem no Público, embora discordando de muitas das suas conclusões no mesmo texto: “o principal risco no modo como defrontamos estas ‘revelações’ é considerar que elas são jornalismo, quando elas são em princípio e na sua essência um acto político (sublinhado nosso)” e que, “nos documentos revelados pelo Wikileaks, há muitas ‘histórias’  jornalísticas fidedignas e muita história para fazer a prazo. Mas isso só é válido se os documentos forem entendidos como ‘fonte’  e não como produto final, porque entender os documentos em si mesmo como sendo as ’revelações’ é o mesmo que considerar que imagens não editadas são jornalismo televisivo ”.

De facto, a colocação no espaço público dos documentos pelo Wikileaks é um acto político de combate à hegemonia informativa do Império que procura gerir o discurso público  do poder conforme os seus objectivos de dominação. Em que cidadania e sociedade civil são termos invocados pelo poder na medida em que não aborreçam os interesses instalados dos poderosos.

O problema para os poderes instalados é que os muitos que não se acomodam a esse jogo nem aceitam essa dominação, também usam aquilo que o capital financeiro sabe usar tão bem para hegemonizar e expandir os mercados a todas as esferas da vida humana e que o poder político utiliza para expandir a sua dominação sobre os comuns – as redes sociais e as imensas possibilidades de comunicação disponibilizadas pelas novas tecnologias de informação. É o que fez o Wikileaks e o que outros wikileaks farão se silenciarem este.

Porque é de combate pelo acesso aos factos, de combate no domínio da liberdade de expressão, em suma, de política, que se trata.

É sabido que está no código genético deste poder político tentar manter reserva e distância em relação ao funcionamento da “caixa negra” do sistema onde  forja as decisões e as alianças políticas, ao mesmo tempo que não hesita, qual Big Brother, em invadir e liquidar o espaço privado das pessoas. Só que o realismo político nas relações internacionais e na esfera do poder  invocado pelos analistas de serviço como justificação para a distância e a reserva também justifica a iniciativa dos cidadãos de invadir o espaço da política lutando pela alteração das relações de força e pelo acesso à informação e aos factos que lhe são recusados.

É então também natural que as imensas minorias cidadãs que não se conformam com a narrativa política deste poder imperial lutem por trazer à luz do dia o que o poder quer esconder,  por arrancar da “caixa negra” do sistema o máximo de informação, o máximo de factos, nacos parciais duma verdade que lhes escapa e é negada, para que possam condicionar os poderes que, quanto mais absolutos e opacos, mais são absolutamente corruptos e corruptores.

Compreende-se a ira dos poderosos contra o Wikileaks quando a hipocrisia dos discursos públicos é confrontada com a realidade dos gabinetes, o seu esforço para silenciar os servidores informáticos e impedir o acesso, nos EUA como na China. Mas compreendem-se ainda melhor as iniciativas cidadãs, como o Wikileaks, que desafiam a cólera dos poderosos para pôr a nu as suas narrativas.

Adaptando uma célebre frase usada em tempos no debate político norte-americano (então relativa à “economia”), afinal “É a política, estúpidos!” . Ou, doutro modo, “Habituem-se!, exclamação célebre de um bem instalado comentador e político situacionista, então com outro sentido. Mas as palavras e expressões vão sendo usadas e ganham novos sentidos e por isso,  António Vitorino, não resistimos à sua reapropriação.

É o Wikileaks que afecta a transparência nas relações internacionais ou a própria opacidade genética do poder político?

 

Afinal, se não fosse o escândalo “Watergate”,  Nixon teria sido apeado do poder e condenado pelos seus crimes? Se não fossem as imagens trazidas à praça pública sobre Abu Ghraib, teriam sido desmascaradas as torturas e assassinatos de prisioneiros realizados pelas tropas imperiais ocupantes do Iraque, em absoluta contradição com o discurso do poder e com o jornalismo “embedded” inventado pelos norte-americanos para controlar jornalistas enquadrados nas suas tropas? E se não fossem os testemunhos e informações trazidos à praça pública, do interior dos corredores do tal poder político que merece a reserva da distância, saberíamos o que sabemos sobre a monstruosa manipulação montada por Bush e Blair para justificarem a invasão do Iraque com a acusação de armas nucleares que Saddam Hussein nunca possuiu?  Se não fossem as fugas de informação, saberíamos em Portugal de numerosos factos que ilustram a relação promíscua entre poder político e negócios que está a envenenar e corromper a democracia política a um nível insustentável?

Por fim: o sítio www.wikileaks.org  foi silenciado, mas renasceu em www.wikileaks.ch !  A narrativa da tensão entre poder e democracia vai continuar…

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A revelação pública,  pela equipa de Julian Assange, de 251 287 documentos classificados do Departamento de Estado dos EUA, constituindo a maior fuga para o espaço público de documentação confidencial e secreta, têm confirmado a duplicidade do discurso dos poderosos e como tentam manipular, enganar e condicionar os cidadãos. Como refere o excelente trabalho da Visão, estes documentos “põem a descoberto a política externa norte-americana, trazem para a luz do dia os seus mecanismos e fontes, deixam em evidência as suas debilidades e obsessões e, no conjunto, facilitam a compreensão, por parte dos cidadãos, das circunstâncias em que se desenvolve o lado obscuro das relações internacionais“.

Quando os governantes dos EUA e de outros países, os ditadores árabes e numerosos comentadores situacionistas reagem atacando e perseguindo Julian Assange, agora sujeito a mandato de captura internacional, querem matar o mensageiro em vez de esclarecerem a mensagem, para assim fugirem às suas responsabilidades políticas.

Como é que Hillary Clinton continua como Secretária de Estado de Obama, se for confirmado que deu instruções para  que os diplomatas dos EUA fizessem espionagem da vida e actividade do Secretário-geral da ONU e de responsáveis políticos de outros países?

Que tem o Sr. Luís Amado, MNE de Portugal, a dizer das apreciações da Embaixada dos EUA em Lisboa, que em telegrama para o seu Governo refere a vantagem de o “acarinhar muito” (assim confirmando o seu conhecido alinhamento político com o “amigo americano” desde há muito) e reconhece que a actuação deste ministro, no caso do trânsito por Portugal de voos da CIA com detidos de Guantanamo «reflecte a pressão contínua política e dos media relativamente a este assunto» e «tornam os esforços de assistência do Governo de Portugal (GOP) à repatriação de detidos de Guantanamo ainda mais difíceis», ou seja, fala na conivência publicamente negada do Governo português para a passagem de voos da CIA com detidos por território nacional (a tradução parcial sublinhada do telegrama é publicada pelo insuspeito sítio web da Agência de Negócios, onde se pode ter acesso ao telegrama original e a mais informação)?

Wikileaks: se não existisse, não era a mesma coisa!

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